Comunidade da África Ocidental quer maior envolvimento de Cabo Verde
O presidente da comissão da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO) defendeu, na cidade da Praia, um maior envolvimento de Cabo Verde na comunidade com vista a acelerar a integração económica no bloco regional.
(Corrige no primeiro parágrafo a referência à Comunidade Económica dos Países da África Ocidental: é bloco regional e não país oeste-africano)
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Praia, 13 fev (Lusa) – O presidente da comissão da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO) defendeu hoje, na cidade da Praia, um maior envolvimento de Cabo Verde na comunidade com vista a acelerar a integração económica no bloco regional.
Marcel Alain de Souza, que em abril assumiu a presidência da comissão da CEDEAO, cumpre entre hoje e quarta-feira a sua primeira visita oficial a Cabo Verde, com uma agenda marcada por encontros com as principais autoridades políticas.
Uma reunião de trabalho, durante a manhã de hoje, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, marcou o arranque de uma visita que Marcel Alain de Souza espera possa “animar a cooperação” entre Cabo Verde e a CEDEAO.
Em declarações aos jornalistas, Marcel Alain de Souza adiantou que é preciso “maior envolvimento e visibilidade” da CEDEAO em Cabo Verde, apontando a falta de ligações marítimas entre o arquipélago e o continente africano como um obstáculo ao intercâmbio económico entre as duas partes.
“Não sentimos um envolvimento para que possamos avançar do ponto de vista da integração económica”, disse o presidente da CEDEAO, apontando também a escassez de quadros cabo-verdianos na organização regional.
Marcel Alain de Souza lembrou ainda o compromisso assumido pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, para que Cabo Verde se envolva mais na CEDEAO.
“Viemos para ver como podemos animar esta cooperação e pensamos que com esta visita podemos ativar um pouco as relações com Cabo Verde”, disse.
Em foco, durante a visita, estará também a efetivação da união aduaneira entre os 15 países que integram a CEDEAO com a implementação da tarifa externa comum.
“Cabo Verde ainda não implementou a tarifa externa comum e vamos discutir formas de acelerar a criação da união aduaneira para acelerar as trocas entre os quinze países”, disse.
O responsável da CEDEAO citou um estudo elaborado em 2015 que revela que o valor das trocas comerciais entre os países da comunidade foi de apenas 15 milhões de dólares (cerca de 14 milhões de euros), ou seja, 12 por cento do total das trocas na região.
“Trocamos quatro vezes mais com a Europa do que entre nós”, disse o responsável, adiantando que no caso concreto de Cabo Verde “existe a impressão” de que o país está mais virado para a Europa do que para os países da África Ocidental.
“A impressão que temos é que Cabo Verde não faz muitas trocas com a CEDEAO, que está mais virado para a Europa do que para os países CEDEAO. Mas é uma impressão e há uma adesão à CEDEAO e ela vai-se manifestar em factos”, disse.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, sublinhou a importância para Cabo Verde da integração regional.
“Queremos aprofundar as negociações com vista ao estabelecimento de uma ligação marítima entre Cabo Verde e os outros 14 países da CEDEAO”, disse.
Adiantou que a companhia marítima já foi criada pelos 15 países e que falta agora pô-la a funcionar.
“Cabo Verde tem um grande interesse no estabelecimento desta ligação marítima com o continente africano porque somos um país insular e precisamos reforçar a nossa integração na CEDEAO através da economia e do comércio”, disse.
Sobre a aplicação em Cabo Verde da tarifa externa comum, Luís Filipe Tavares adiantou que o país apresentou uma proposta de calendário para a sua aplicação que terá agora que ser negociada com a CEDEAO.
A Tarifa Externa Comum (TEC) da CEDEAO entrou em vigor a 01 de janeiro de 2015 e prevê a aplicação da mesma taxa nas transações comerciais com o objetivo de impulsionar o comércio dentro da comunidade.
A instalação em Cabo Verde de um centro de informações e de coordenação da Segurança Marítima, o terrorismo e a situação política em países como a Gâmbia, Mali e Guiné-Bissau serão outros assuntos em discussão durante a visita.
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By Impala News / Lusa