Moçambique sob água: Balanço de mortos sobe para 215 e crise humanitária agrava-se
Desde outubro, a época das chuvas em Moçambique tem deixado um rasto de destruição sem precedentes. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) confirmam uma tragédia que já afetou quase um milhão de pessoas.
A fúria da natureza não dá tréguas. O que começou como uma época pluvial cíclica transformou-se numa das crises humanitárias mais graves dos últimos anos no país. Segundo os dados atualizados esta segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, o número de vítimas mortais após as chuvas em Moçambique subiu para 215, com mais de 856 mil pessoas afetadas em todo o território.
Cronologia da destruição: De outubro a fevereiro
Para compreender a dimensão deste desastre, é necessário olhar para a sucessão de eventos meteorológicos extremos que fustigaram o país:
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Outubro de 2025: Início da época das chuvas. Os primeiros registos indicam danos em infraestruturas no centro e norte do país devido a descargas atmosféricas.
Janeiro de 2026: Um mês negro para as províncias do sul. As cheias urbanas em Maputo e Matola causaram, sozinhas, pelo menos 27 mortos. Estradas nacionais ficaram intransitáveis, isolando regiões inteiras.
12 e 13 de Fevereiro de 2026: A passagem do ciclone Gezani pela província de Inhambane agravou drasticamente o cenário, somando mais quatro vítimas mortais e destruindo milhares de hectares de culturas.
16 de Fevereiro de 2026: O INGD atualiza o balanço para 215 mortos e 12 desaparecidos. Mais de 50 centros de acomodação permanecem ativos para dar abrigo a cerca de 41 mil pessoas que perderam tudo.
Números que assustam: O impacto em detalhe
A destruição não se mede apenas em vidas perdidas, mas no futuro de uma nação que vê os seus recursos escassearem.
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Habitação: Mais de 183 mil casas foram inundadas e cerca de 19 mil ficaram total ou parcialmente destruídas.
Educação e Saúde: 635 escolas e 246 unidades de saúde foram afetadas, comprometendo o acesso a cuidados básicos e ao ensino para milhares de crianças.
Agricultura: Mais de 550 mil hectares de áreas agrícolas foram atingidos, sendo que metade desta área é considerada perda total, o que faz prever uma crise de insegurança alimentar nos próximos meses.
Outros casos: Moçambique e a vulnerabilidade climática
Infelizmente, este cenário não é novo. Moçambique é um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas no mundo. Lembramos o devastador Ciclone Idai em 2019, que causou centenas de mortos, ou o Ciclone Freddy em 2023, que bateu recordes de duração e intensidade.
A recorrência destes fenómenos sublinha a necessidade urgente de investimentos em resiliência e sistemas de aviso prévio, temas que temos abordado recorrentemente nas nossas notícias de atualidade internacional.
Solidariedade e resposta humanitária
Neste momento, a prioridade das autoridades moçambicanas e das agências internacionais é garantir o acesso a água potável, comida e abrigo nos centros de acomodação. O risco de surtos de doenças como a cólera e o aumento de casos de malária é uma preocupação constante em cenários de águas estagnadas.