Afluência às urnas em referendo sobre justiça em Itália surpreende e fica perto dos 60%

A taxa de afluência às urnas no referendo organizado em Itália sobre a reforma do setor da justiça proposto pelo Governo de Giorgia Meloni superou as expectativas, situando-se nos 59%, a segunda mais alta da história do país.

Afluência às urnas em referendo sobre justiça em Itália surpreende e fica perto dos 60%

De acordo com os dados do Ministério do Interior, cerca de 27 milhões dos quase 46 milhões de eleitores italianos foram às urnas nesta consulta realizada entre domingo e hoje à tarde, a segunda participação mais elevada entre os cinco referendos confirmativos realizados em Itália desde 1946, e superando largamente, por exemplo, a afluência registada em Itália nas últimas eleições europeias de 2024, que ficou pelos 49,7%.

As projeções divulgadas desde o encerramento das urnas, às 15:00 locais (14:00 de Lisboa), apontam para uma vantagem do “Não” à reforma proposta pelo Governo, que, de acordo com sondagens à boca das urnas e resultados parciais, poderá obter 53%, resultado que, a confirmar-se, representará uma pesada derrota para a primeira-ministra Giorgia Meloni, a maior desde que assumiu o poder, em outubro de 2022.

Dado tratar-se de um referendo de caráter confirmatório, este não exige um quórum mínimo de participação para ser válido, pelo que a reforma será aprovada ou rejeitada exclusivamente por maioria simples dos votos expressos, com o resultado a ser diretamente vinculativo.

A reforma judicial, que era uma das prioridades da legislatura do governo — uma coligação formada pelos partidos Irmãos de Itália (direita nacionalista, encabeçado por Meloni), Liga (extrema-direita, liderado por Matteo Salvini) e Força Itália (direita, presidido por Antonio Tajani) — previa a separação das carreiras de juízes e procuradores, a criação de um tribunal superior para disciplinar os membros do sistema judicial, divisão do órgão de autogestão do sistema judicial em dois, e alteração da forma como os juízes deste são eleitos, utilizando um processo de sorteio.

Desde o seu anúncio e aprovação em sede parlamentar, a reforma foi veementemente rejeitada pelo sindicato dos magistrados e pelos partidos da oposição, segundo os quais as medidas previstas ameaçam enfraquecer o poder judicial e poderão ser um passo para colocar os procuradores sob o controlo do executivo.

ACC // SCA

By Impala News / Lusa

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