Banco Alimentar com cada vez mais pedidos e quase 2 milhões em risco de pobreza
Os pedidos de apoio ao Banco Alimentar aumentaram no último mês, pressionados pela subida dos combustíveis e dos custos com habitação. Em Portugal, quase dois milhões de pessoas vivem em risco de pobreza, acima da média europeia.
Os Bancos Alimentares Contra a Fome estão a receber mais pedidos de apoio de famílias carenciadas. Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, confirmou que no último mês tem havido um aumento dos pedidos, motivado pela subida do custo de vida, em especial dos combustíveis e dos encargos com habitação. “As famílias têm menos folga orçamental”, resumiu.
Este fim de semana decorre a campanha nacional de recolha de alimentos, nos supermercados e também online, através da plataforma ‘Alimente esta Ideia’ e do Portal de Doações Online do Banco Alimentar. Até esta tarde, as doações online tinham já angariado 1.850 litros de azeite, 1.766 litros de óleo, 4.119 litros de leite, 3.596 quilos de atum, 2.630 quilos de salsichas e 3.045 quilos de arroz.
Banco Alimentar: quase dois milhões de portugueses em risco de pobreza
Os números por detrás dos pedidos de ajuda ao Banco Alimentar têm uma dimensão que vai muito além das filas dos supermercados. Em 2025, 18,6% da população portuguesa – perto de dois milhões de pessoas – vivia em agregados familiares com pelo menos um de três riscos de pobreza e exclusão social: risco de pobreza, privação material e social grave ou viver num agregado familiar com uma intensidade de trabalho muito baixa.
Entre as famílias monoparentais, a taxa de risco de pobreza subiu de 31% para 35,1%, enquanto nas famílias numerosas se fixou nos 26,7%. As mulheres apresentavam uma taxa de risco de pobreza de 16,3%, acima dos 14,5% observados entre os homens.
O dado mais perturbador: 10,4% da população residente está em situação de pobreza extrema, o que representa uma em cada dez famílias, vivendo com menos de 300 euros por mês.
Portugal acima da média europeia
A percentagem mais elevada de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social registou-se em 2025 na Bulgária (29,0%), seguida da Grécia (27,5%) e da Roménia (27,4%), tendo as percentagens mais baixas sido registadas na República Checa (11,5%), na Polónia (15,0%) e na Eslovénia (15,5%).
Portugal, com 18,6%, fica acima da média da UE e longe dos melhores resultados europeus, o que coloca em perspetiva o aumento dos pedidos de apoio ao Banco Alimentar. As transferências sociais desempenham um papel decisivo na redução do risco de pobreza em Portugal. Sem os apoios estatais, o risco de pobreza seria na ordem de mais de 40% da população.
É precisamente neste contexto que o Governo aprovou ontem a Prestação Social Única, que vai consolidar 13 apoios não contributivos numa única prestação (https://www.new.impala.pt/atualidade/prestacao-social-unica-portugal-13-apoios-2026/).
Como ajudar neste fim de semana
A campanha de recolha do Banco Alimentar decorre este sábado e domingo nos supermercados de todo o país. Quem preferir ajudar online pode fazê-lo através da plataforma ‘Alimente esta Ideia’ ou do Portal de Doações Online do Banco Alimentar.