A apresentadora da Eurovisão 2026 que é herdeira do império Swarovski
Apresentadora da Eurovisão 2026, Victoria Swarovski tem o apelido mais brilhante do mundo. Mas por detrás dos cristais da família está uma mulher que recusou viver de rendimentos e construiu o seu próprio caminho.
A apresentadora da Eurovisão 2026 não chegou ao palco do Wiener Stadthalle apenas pelo apelido que carrega. Victoria Swarovski, 32 anos, é cantora, modelo, empresária e apresentadora de televisão e esta semana o rosto da 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, em Viena, ao lado do ator Michael Ostrowski, perante uma audiência estimada em 170 milhões de telespectadores em todo o mundo.
“Não há palavras para descrever. Quando o convite chegou, tive de olhar duas vezes. Mas soube imediatamente que tinha de dizer sim”, afirma Victoria. “A Eurovisão une as pessoas para celebrar a vida e a música e é essa positividade que torna o espetáculo tão extraordinário.”
Portugal não estará na final de sábado. Os Bandidos do Cante foram eliminados na primeira semifinal. Mas a figura que vai conduzir o espetáculo até ao fim merece ser conhecida.
Swarovski: 130 anos de cristais que iluminaram o mundo
Para entendermos quem é Victoria, é preciso primeiro percebermos o que é a Swarovski, uma das marcas mais reconhecidas do planeta, com 130 anos de história e presença em mais de 170 países.
Tudo começou na Boémia, atual República Checa, onde, em 1862, nasceu Daniel Swarovski, filho de um cortador de vidro. Em 1892, inventou e patenteou uma máquina de corte automático capaz de lapidar cristais com precisão nunca antes vista. A sua visão era ambiciosa e democrática. “Um diamante para cada um”, dizia. Fazer com que qualquer mulher pudesse sentir o brilho do luxo, mesmo sem poder pagar por um diamante verdadeiro.
Em 1895, mudou-se com a família para Wattens, pequena localidade no coração dos Alpes Tiroleses, onde fundou a empresa que ainda hoje ali tem sede, aproveitando a abundância de energia hidroelétrica da região para alimentar as suas máquinas. A fábrica de corte de cristal que ali criou revolucionou a indústria da joalharia.
Nos anos 30 e 40, a marca ganhou projeção no mundo da moda quando começou a fornecer cristais para Coco Chanel e Christian Dior. Em 1956, a parceria com Dior atingiu o auge com a criação do efeito Aurora Boreal – revestimento especial que conferia aos cristais cores e movimento sem precedentes na alta costura. Desde então, a Swarovski tornou-se fornecedora de referência para as maiores casas de moda do mundo, de Yves Saint Laurent a Alexander McQueen, de Karl Lagerfeld a Versace.
Hoje, o grupo Swarovski divide-se em três grandes áreas: cristais, joias e acessórios; instrumentos óticos; e ferramentas industriais. Conta com mais de 3 mil lojas, 29 mil funcionários e receitas anuais de cerca de 2,7 mil milhões de euros. Continua a ser uma empresa familiar, gerida pela quinta geração da família fundadora.
A ‘menina das montanhas’ que não quis ser herdeira
Victoria Swarovski nasceu em 16 de agosto de 1993 em Innsbruck, a mesma cidade austríaca onde a marca tem raízes. É filha de Paul Swarovski, o maior acionista da empresa, e de Alexandra, jornalista. Cresceu entre cristais, glamour e a consciência de que o apelido que carregava pesava tanto quanto brilhava.
Victoria, contudo, nunca se contentou com a herança.
Prefere chamar-se ‘menina das montanhas’ do que ‘herdeira’. “A minha mãe e o meu pai ensinaram-me a ser normal e estável. Sempre me disseram que isso podia desaparecer num segundo. Foi por isso que comecei a ter a minha própria carreira”, confessou numa entrevista à BBC.
Deu os primeiros passos cedo. Aos 12 anos, Victoria começou a compor canções. Aos 15, assinou contrato com a Sony Music. Aos 18, mudou-se para os Estados Unidos, onde colaborou com Diane Warren – autora de êxitos para Beyoncé e Céline Dion – e atuou como artista de abertura em concertos de David Guetta e Taio Cruz.
Chegou a gravar a versão alemã da banda sonora do filme As Crónicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Aurora – a versão inglesa foi interpretada por Carrie Underwood.
A televisão que a consagrou
A grande viragem chegou em 2016, quando venceu o Let’s Dance, versão alemã do Strictly Come Dancing’. O sucesso foi de tal ordem que a produção do programa a convidou para apresentadora, onde se manteve durante anos, tornando-se numa das caras mais reconhecidas da televisão germânica.
Tornou-se ainda na mais jovem jurada de sempre do Das Supertalent, versão germânica do Got Talent, ao lado de Dieter Bohlen e Bruce Darnell. Em 2021, lançou a sua própria marca de beleza, a Orimei Beauty. E, no início de 2026, participou no Rali Dakar, uma das provas automobilísticas mais exigentes do mundo, terminando na 96ª posição da geral, sob o pseudónimo Vic Flip.
Casamento de conto de fadas e divórcio
Em maio de 2017, Victoria casou-se com o investidor imobiliário Werner Mürz, 17 anos mais velho, numa cerimónia que ficou para a história. O vestido de noiva, criado pelo estilista filipino Michael Cinco – conhecido por vestir Beyoncé e Lady Gaga – foi bordado à mão com 500 mil cristais Swarovski, pesava 46 quilos e foi avaliado em cerca de 800 mil euros. A cerimónia realizou-se na catedral de San Giusto, em Trieste, e a festa prolongou-se por três dias em Portopiccolo, Itália.
A união terminou em divórcio, em 2022. Desde então, Victoria namora Mark Mateschitz, filho do fundador da Red Bull e proprietário de 49% da empresa, com uma fortuna estimada em 40 mil milhões de euros, uma das dez maiores da Europa. Participaram juntos no Rali Dakar 2026.
Na Eurovisão, sob os holofotes do mundo
Esta semana, Victoria Swarovski está no centro do maior concurso de música do mundo, a conduzir o espetáculo com a naturalidade de quem passou anos a apresentar em direto para audiências de milhões.
“Aceito esta oportunidade com grande sentido de responsabilidade e dignidade”, afirmou, ao ser anunciada como apresentadora. “Curiosidade, abertura e sede de novos desafios caracterizam a minha personalidade.”
Com a sua combinação de ‘expertise’ mediática, instinto empresarial e presença internacional, Victoria Swarovski representa uma nova geração de figuras públicas: versátil, ambiciosa, com os pés no chão e inconfundivelmente ela própria.