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Ansiedade: O novo normal que as nossas crianças herdaram das últimas décadas

Um estudo revela que crianças hoje são mais ansiosas que pacientes psiquiátricos dos anos 50. Entenda as causas e como a pressão social moldou a nossa mente.

Ansiedade: O novo normal que as nossas crianças herdaram das últimas décadas

A ideia de que vivemos numa era de nervos à flor da pele não é apenas uma impressão subjetiva. É um facto estatístico. A prestigiada psicóloga Jean M. Twenge provou-o numa meta-análise que ainda hoje ecoa nos consultórios. “Uma criança saudável” dos anos 80 apresentava níveis de ansiedade superiores aos de uma criança internada em clínicas psiquiátricas na década de 50.

Este salto não aconteceu por acaso. A transição de “uma sociedade focada na comunidade para um modelo de individualismo extremo e competitividade alterou a química do nosso cérebro social”.

Ansiedade: Do pós-guerra ao ecrã do Smartphone

1952 – 1967: Período de relativa estabilidade nos laços comunitários. Os níveis de neuroticismo eram baixos, sustentados por redes de apoio familiar sólidas.
Anos 80: O início da ascensão meteórica. A pressão pelo sucesso individual e a exposição mediática começam a cobrar o seu preço nos mais novos.
Anos 90: O estudante universitário médio reporta mais ansiedade do que 71% dos estudantes dos anos 70.
2010 – 2019: A era do “sempre ligado”. O bullying digital e a comparação constante nas redes sociais elevam a ansiedade para níveis epidémicos.
2020 – 2026: O efeito chicote da pandemia. Quase 35% dos pós-graduandos sofrem de ansiedade clínica, exacerbada pelo isolamento e pela incerteza económica.

O peso do desempenho e o isolamento moderno

O que mudou? Segundo os especialistas, a redução da sensação de segurança é o fator chave. Antigamente, o insucesso era diluído na comunidade; hoje, é uma falha pública e pessoal. A pressão por notas perfeitas e carreiras brilhantes transformou as universidades em autênticas “panelas de pressão”.

“O enfraquecimento dos vínculos comunitários deixou o indivíduo sozinho perante os seus medos”, refere a análise de Twenge.

Casos semelhantes e contexto nacional

Não é um fenómeno exclusivo dos EUA. Em Portugal, os dados recentes da Saúde Mental em Portugal mostram que o consumo de ansiolíticos continua a bater recordes. Tal como no caso dos estudantes analisados, também os jovens portugueses enfrentam uma crise habitacional e precariedade que impedem a estabilização emocional.

Como identificar os sinais?

Se sente que a sua qualidade de sono diminuiu ou que a exposição à informação lhe causa aperto no peito, pode estar a sofrer do efeito de “infodemia”.

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