Rubio garante que EUA entraram em fase “defensiva” de resposta a ataques do Irão
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, assegurou hoje que a ofensiva contra o Irão “acabou” e que Washington está agora em fase “defensiva”, em que as suas forças apenas responderão a ataques.
“A operação ‘Fúria Épica’ terminou, como o Presidente (Donald Trump) indicou ao Congresso. Passámos essa fase”, declarou Rubio numa conferência de imprensa em Washington.
O secretário de Estado norte-americano realçou que Washington está agora numa fase “defensiva”, com uma nova operação denominada “Projeto Liberdade”.
Rubio disse que esta operação visa especificamente resgatar as tripulações dos navios presos no Estreito de Ormuz, afirmando que 10 civis morreram em consequência do encerramento desta via navegável estratégica pelo Irão.
O secretário de Estado norte-americano garantiu ainda que os Estados Unidos não abririam fogo por iniciativa própria, mas que, se visadas, as forças norte-americanas envolvidas na operação responderiam “com letalidade”.
Trump tinha comunicado ao Congresso na sexta-feira que as hostilidades contra o Irão tinham “terminado”.
Israel e os Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro ataques contra alvos em todo o Irão, com o anunciado objetivo de atingir o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão e incitando a uma mudança de regime em Teerão.
Os ataques surpresa foram lançados durante as negociações entre o Irão e os Estados Unidos sobre o programa nuclear da República Islâmica.
Os ataques israelitas e a “Guerra dos 12 Dias” conjunta entre Estados Unidos e Israel, em junho de 2025, já tinham atingido instalações nucleares iranianas.
Teerão respondeu com ataques contra os países vizinhos, tendo como alvos instalações de petróleo e gás e outros alvos civis, e desde o início do conflito que Teerão reivindica controlo do Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio mundial de combustíveis fósseis, levando à escalada do preço dos combustíveis nos mercados internacionais.
A 07 de abril, as duas partes acordaram um cessar-fogo de duas semanas, prolongado desde então.
Enquanto Washington realiza uma operação para retirar do Golfo navios retidos, a Guarda Revolucionária iraniana prometeu hoje uma “resposta firme” aos navios que tentem atravessar o Estreito de Ormuz por qualquer trajeto que não o definido.
“Advertimos todos os navios que ponderam atravessar o Estreito de Ormuz de que a única passagem segura é o corredor previamente anunciado pelo Irão”, afirmou o Exército ideológico da República Islâmica num comunicado.
Por sua vez, os Estados Unidos ameaçaram hoje retomar “grandes operações de combate” para obrigar o Irão a recuar se este decidisse retaliar contra a sua operação no estreito de Ormuz, após confrontos no mar e de novos ataques atribuídos a Teerão aos Emirados Árabes Unidos.
Apesar de uma escaramuça no Estreito de Ormuz na segunda-feira e de novos ataques iranianos com drones e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos hoje, pelo segundo dia consecutivo, Trump absteve-se de acusar o Irão de violar o cessar-fogo, em vigor desde 08 de abril, numa conferência de imprensa.
“Eles sabem o que têm de fazer e (…) o que não devem fazer”, afirmou.
Teerão retaliou na segunda-feira com ataques de mísseis e drones contra navios militares norte-americanos — intercetados, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM) — e contra os Emirados Árabes Unidos, no primeiro ataque contra um Estado do Golfo Pérsico desde o cessar-fogo.
Hoje, Abu Dhabi indicou ter novamente ativado as suas defesas aéreas para intercetar mísseis e drones disparados do Irão.
Os Estados Unidos não podem “permitir que o Irão bloqueie uma rota marítima internacional”, insistiu o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth.
“Se atacarem tropas norte-americanas ou navios comerciais inocentes, enfrentarão uma força norte-americana esmagadora e devastadora”, alertou.
O Exército “está pronto para retomar grandes operações de combate contra o Irão”, assegurou o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine.
O CENTCOM afirmou, apesar dos desmentidos iranianos, que dois navios mercantes com pavilhão norte-americano atravessaram na segunda-feira o estreito de Ormuz, sob escolta militar.
A operação, marcada, segundo o Exército norte-americano, pela destruição de seis embarcações iranianas, “está a correr muito bem”, congratulou-se Trump.
O armador gigante dinamarquês Maersk anunciou também na segunda-feira a partida de um dos seus navios, “acompanhado de recursos militares norte-americanos”, que estava retido no Golfo desde o início da guerra.
Teerão também negou qualquer dano nos seus navios, acusando os Estados Unidos de matar cinco civis ao atacar duas embarcações que viajavam de Omã para a costa iraniana.
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By Impala News / Lusa