Raimundo acusa Chega de encenar negociação laboral e avisa que trabalhadores não desmobilizam

O secretário-geral do PCP acusou hoje o Chega de encenar uma negociação do pacote laboral e de propor “um embuste” para as pensões, avisando que, mesmo que o diploma seja aprovado, os trabalhadores não deixarão de se mobilizar contra a proposta.

Raimundo acusa Chega de encenar negociação laboral e avisa que trabalhadores não desmobilizam

Paulo Raimundo falava no encerramento das jornadas parlamentares do PCP, no Centro de Trabalho dos comunistas na Marinha Grande, concelho de Leiria.

Questionado sobre as reuniões entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o presidente do Chega, André Ventura, sobre a revisão da lei laboral, Raimundo considerou estar em causa “uma brutal encenação”.

Para o líder comunista, “descontado o barulho e os ‘soundbites'”, aquilo que André Ventura propõe, quando diz querer baixar as pensões mais altas, é o “plafonamento da Segurança Social”, que leva a que as pessoas com salários mais altos contribuam menos para o sistema público e canalizem parte dessas contribuições para sistemas privados.

O secretário-geral comunista classificou a ideia de “plafonamento” como “um embuste” e uma “hipocrisia em nome dos reformados” que não assusta o primeiro-ministro.

“Se eu chegasse ao pé do primeiro-ministro e dissesse: ‘Senhor primeiro-ministro, eu só aprovo o pacote laboral se houver o plafonamento da Segurança Social’. O que é que o primeiro-ministro faz? Fica assustado? Fica a tremer? Ou dá-lhe dois abraços e abrem uma garrafa de champanhe os dois? É isto que vai acontecer”, satirizou.

Questionado sobre se isto significa que o partido dá como certa a viabilização, por parte do Chega, da proposta do Governo, Raimundo avisou que “aconteça o que acontecer na sexta-feira, o pacote laboral não deixará de estar rejeitado pelos trabalhadores e os trabalhadores não deixarão de se mobilizar pela sua derrota”.

“Ainda há muito rio a correr por baixo da ponte”, acrescentou.

Raimundo recusou ainda que o PCP apresente, ao contrário do que já fizeram outros partidos à esquerda, propostas de alteração ao diploma para o debate parlamentar.

O líder dos comunistas avisou também que, esta semana, no debate e votação na generalidade da proposta do Governo de alteração à lei do trabalho, “cada deputado e partido terá de decidir se derrota ou viabiliza um pacote laboral rejeitado por quem trabalha e sente todos os dias que já hoje tem sobreviver com baixos salários e está sujeito a graus brutais de precariedade”.

“Se o pacote laboral não serve aos trabalhadores, se o pacote laboral não serve ao país, só tem um caminho possível e é o caminho também da sua derrota do ponto de vista institucional. E a única forma de estar contra o pacote laboral é votar contra uma proposta que não tem uma única medida que seja que resolva algum dos problemas que já hoje existem”, considerou.

Raimundo reiterou ainda que fazer descer a proposta do executivo à especialidade sem votação, como foi feito com a Prestação Social Única (PSU), seria um golpe e deixou um aviso aos partidos: “Quem promover ou se associar a este golpe está na prática a viabilizar o andamento do pacote laboral e os trabalhadores saberão tirar as conclusões dessa sua própria opção”.

O líder do PCP afirmou também que “os trabalhadores não vão largar e não vão descansar até à derrota do pacote laboral”.

TS // JPS

By Impala News / Lusa

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