Presidente iraniano declara abertura a “negociações justas” com os EUA
O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, anunciou hoje que instruiu o ministro dos Negócios Estrangeiros a procurar negociações “justas e equitativas” com os Estados Unidos, num sinal de abertura ao diálogo.
A decisão representa uma mudança significativa na posição do chefe de Estado reformista iraniano e indica que Pezeshkian recebeu o aval do líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei, que anteriormente rejeitara negociações com Washington.
Numa mensagem divulgada na rede social X, em inglês e farsi, Pezeshkian afirmou que a iniciativa surge após “pedidos de governos amigos da região” para responder à proposta do Presidente norte-americano de iniciar negociações.
“Instruí o meu ministro dos Negócios Estrangeiros para, desde que exista um ambiente adequado, livre de ameaças e expectativas irrazoáveis, procurar negociações justas e equitativas, orientadas pelos princípios da dignidade, prudência e conveniência”, escreveu o Presidente iraniano.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão afirmou ter recebido um convite para as conversações, numa confirmação de que haverá um encontro.
Os Estados Unidos ainda não confirmaram oficialmente a realização de negociações, embora Trump tenha declarado na segunda-feira que Washington está a falar com Teerão e que prefere um acordo negociado.
A abertura iraniana surge num momento em que a Turquia tem trabalhado nos bastidores para acolher conversações ainda esta semana, enquanto o enviado norte-americano para o Médio Oriente, Steve Witkoff, se encontra em viagem pela região.
Segundo um responsável regional, ministros dos Negócios Estrangeiros de Omã, Paquistão, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos foram convidados a participar, caso o processo avance.
Persistem, contudo, dúvidas sobre a viabilidade de um acordo, sobretudo depois de Trump ter incluído o programa nuclear iraniano entre as exigências centrais, após ordenar o bombardeamento de três instalações nucleares do Irão durante a guerra de 12 dias lançada por Israel em junho.
O Irão tem vindo a enriquecer urânio até 60% de pureza, um nível próximo do necessário para uso militar, sendo, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, o único país a fazê-lo sem possuir armas nucleares.
Teerão tem igualmente recusado inspeções da agência aos locais bombardeados em junho, alegando riscos de segurança, mantendo-se desconhecida a quantidade exata de urânio enriquecido disponível.
Entretanto, Witkoff deverá reunir-se hoje com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e responsáveis de segurança em Israel, antes de seguir para Abu Dhabi, onde participará em conversações relacionadas com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Israel deverá insistir para que qualquer acordo com o Irão inclua o fim do enriquecimento de urânio, a remoção das reservas existentes, limitações ao programa de mísseis balísticos e o fim do apoio iraniano a grupos aliados.
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By Impala News / Lusa