Liga contra o cancro alerta para agravamento das listas de espera em oncologia

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) manifestou hoje preocupação com o agravamentos das listas de espera em oncologia e apelou para que o Ministério da Saúde adote medidas urgentes que garantam consultas e cirurgias atempadas.

Liga contra o cancro alerta para agravamento das listas de espera em oncologia

Segundo dados divulgados hoje pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), no final do segundo semestre de 2025, 8.874 utentes aguardavam primeira consulta oncológica e 8.215 esperavam cirurgia, com aumentos de 3% e 9%, respetivamente, face a igual período de 2024.

Comentando estes números à agência Lusa, o presidente da LPCC, Vítor Veloso, afirmou que “são dados negativos” para os quais a instituição olha “com admiração, mas uma admiração negativa e com uma preocupação muito grande”.

“Estes dados demonstram que, em relação aos doentes oncológicos, a situação não é brilhante”, disse, destacando o aumento de 9% na espera para a cirurgia oncológica.

Para o oncologista, ainda mais preocupante é o facto de 21,2% dos doentes em espera já terem ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido, assim como o aumento dos tempos de espera para a primeira consulta de especialidade.

“Todos estes dados são negativos e a Liga solicita ao Ministério da Saúde que se debruce sobre eles e que lance uma iniciativa que considere e faça com que esta situação seja recuperada”, defendeu.

“Os doentes estão a ser altamente prejudicados e portanto veementemente nós pedimos ao Ministério de Saúde que tome as devidas medidas”, reforçou o oncologista.

Questionado sobre as medidas que devem ser tomadas para reverter estes indicadores, o presidente da Liga afirmou que “todo o Serviço Nacional de Saúde precisa de uma restruturação muito grande”, incluindo na área da oncologia.

Para Vítor Veloso, os doentes estão a ser “duplamente prejudicados”, quer pelos atrasos nas primeiras consultas de especialidade, “que são determinantes” para o diagnóstico e tratamento, quer pelos atrasos nas cirurgias.

Questionado sobre se esta realidade já se reflete no dia-a-dia da instituição, Vítor Veloso respondeu “obviamente que sim”, referindo que muitos doentes recorrem à Liga por ainda não terem sido operados.

“Há muitos doentes que nos procuram no sentido de tomarmos medidas, mas a Liga não tem possibilidade de as tomar. Isso é a nível central, a nível do Ministério da Saúde, que tem de ser tomado”, afirmou.

Como razões para o agravamento da situação, Vítor Veloso apontou a falta de profissionais de saúde “e, provavelmente, a estrutura não estar devidamente montada”.

“Este agravamento não é um agravamento mínimo. É um agravamento já altamente preocupante”, concluiu Vítor Veloso.

HN // JMR

By Impala News / Lusa

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