Líbano regista 2.196 mortos em ataques israelitas no último mês e meio
Os ataques israelitas no Líbano provocaram 2.196 mortos, entre os quais 172 crianças, e 7.185 feridos desde o início de março, segundo o último balanço das autoridades de Beirute, hoje divulgado.
Entre estas vítimas, 29 pessoas morreram e 172 ficaram feridas nas últimas 24 horas, indicou o Ministério da Saúde libanês no seu balanço, divulgado depois da primeira reunião, realizada na terça-feira em Washington, entre representantes dos dois países, na qual ficou acertado o início de negociações de paz.
Israel não aceitou porém ainda um cessar-fogo reclamado por Beirute nos seus ataques no Líbano contra o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irão.
O Hezbollah retomou os ataques contra o território israelita em 02 de março, logo após o início da ofensiva aérea lançada pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.
No mesmo dia, o Governo libanês proibiu as atividades militares do grupo xiita que, apesar disso, não parou com lançamentos de projéteis e drones contra Israel.
Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país no conflito anterior.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, recusou hoje um pedido dos Estados Unidos para estabelecer “contacto direto” com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, indicaram fontes das autoridades de Beirute às agências internacionais.
Aoun confirmou uma chamada com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, numa declaração do seu gabinete, mas não mencionou nenhuma conversa com Netanyahu, que também não se pronunciou, apesar de o seu Governo ter indicado previamente que era esperado um telefonema com chefe de Estado libanês.
Benjamin Netanyahu insistiu na quarta-feira que um dos principais objetivos das negociações com o Líbano é o desmantelamento do grupo xiita aliado do Irão, ao mesmo que prossegue a sua campanha militar no país vizinho e apesar do diálogo iniciado com Beirute pela primeira vez em mais de 30 anos.
“Nas negociações com o Líbano, há dois objetivos principais: primeiro, o desmantelamento do Hezbollah e, segundo, uma paz duradoura, uma paz assente na força”, afirmou o chefe do Governo de Israel.
Joseph Aoun reforçou hoje pelo seu lado que a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano “é um passo fundamental para consolidar” um cessar-fogo, bem como permitir a deslocação do Exército libanês para a fronteira entre os dois países, “alargando plenamente a autoridade do Estado e pondo fim a qualquer presença armada”, referindo-se tanto aos militares israelitas como às milícias do Hezbollah
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, tinha exigido na segunda-feira o cancelamento do encontro em Washington, defendendo que este diálogo constitui uma capitulação de Beirute e não pode prosseguir sem um consenso interno.
O Irão tem insistido que o Líbano seja incluído no cessar-fogo acordado com os Estados Unidos para o conflito no Golfo, uma exigência rejeitada por Washington e Telavive.
Em comunicado após a primeira reunião entre os embaixadores de Israel e do Líbano, o Departamento de Estado norte-americano indicou que qualquer acordo de cessar-fogo “deve ser alcançado entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não através de qualquer via paralela”, em alusão às conversações entre Washington e Teerão.
Na mesma nota, a diplomacia norte-americana reafirmou o “apoio ao direito de Israel de se defender contra os ataques implacáveis do Hezbollah”, bem como ao Líbano nos esforços para restaurar o monopólio estatal da força e “pôr fim à influência opressiva do Irão”.
HB // APN
By Impala News / Lusa