Irão rejeita ultimato de Donald Trump e recusa negociar sob ameaça direta
O Irão rejeita o ultimato de Donald Trump para abrir o Estreito de Ormuz e recusa negociar sob ameaça de ataques a infraestruturas.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão reafirmou hoje, 6 de abril de 2026, a recusa categórica em participar em negociações com a administração de Donald Trump enquanto vigorarem ameaças de ataques militares. Ismail Bagaei, porta-voz da diplomacia iraniana, classificou a postura de Washington como incompatível com a diplomacia internacional.
O ultimato de Washington e a resposta de Teerão
Donald Trump intensificou a pressão sobre a República Islâmica, estabelecendo um prazo que expira às 20:00 desta terça-feira (uma da manhã de amanhã em Portugal) para o desbloqueio total do Estreito de Ormuz. O Presidente norte-americano ameaçou desencadear “todo o inferno” contra infraestruturas energéticas e pontes iranianas caso a rota comercial não seja libertada sem condições.
Em conferência de imprensa, Ismail Bagaei foi direto ao afirmar que o Irão não aceita ultimatos. O porta-voz sublinhou que qualquer proposta de cessar-fogo que sirva apenas para o rearmamento das forças ocidentais é inaceitável. O país exige garantias de que o ciclo de conflito não se repetirá e o fim definitivo das hostilidades impostas.
Negociações paralelas e mediação regional
Apesar da retórica agressiva pública, existem relatos de canais diplomáticos ativos:
- • Mediadores do Paquistão, Egito e Turquia tentam estabelecer os termos para um cessar-fogo de 45 dias.
- • Steve Witkoff, enviado especial de Trump, tem trocado mensagens com o ministro iraniano Abbas Araqchi.
- • O portal Axios indica que Washington procura o fim das ambições nucleares de Teerão em troca do levantamento de sanções económicas.
O Irão, contudo, nega que estas conversas signifiquem uma cedência. As autoridades de Teerão recordam que as administrações anteriores falharam em vergar o país através da força ou de sanções.
Impacto estratégico no Estreito de Ormuz
A tensão militar já reflete uma instabilidade profunda nos mercados energéticos. O Exército iraniano advertiu que os preços do petróleo não estabilizarão enquanto as suas forças não garantirem a segurança da região. Trump, por seu lado, utiliza o “caos estratégico” como ferramenta de negociação, alternando entre a ameaça de destruição total e a previsão de um “acordo histórico”.
A situação atual é crítica por diversos fatores:
- • O Irão permitiu apenas a passagem de bens essenciais e ajuda humanitária.
- • Israel aguarda luz verde de Washington para atacar instalações nucleares iranianas.
- • O falecimento de Majid Khademi, chefe da inteligência da Guarda Revolucionária, acrescentou uma camada de incerteza ao comando militar de Teerão.
O desfecho desta crise depende das próximas horas, com o mundo expectante sobre se o ultimato de Trump resultará numa escalada militar sem precedentes ou numa cedência diplomática de última hora.