É essencial preservar a verdade sobre os campos de concentração – Diretor do Museu de Auschwitz

O diretor do Museu de Auschwitz alertou hoje para a necessidade de preservar a verdade sobre os campos de concentração como uma referência para lembrar o dever de reagir, numa altura em que o mundo está a mudar rapidamente.

É essencial preservar a verdade sobre os campos de concentração - Diretor do Museu de Auschwitz

Segundo Piotr Cywinski, todas as gerações que viveram o pós-Segunda Guerra Mundial tiveram tendência para mudar a História, quer exagerando, quer negando os factos, mas a preservação da verdade sobre “o maior genocídio da História da Europa” é fundamental.

“Por que é que é tão importante? Porque é uma referência”, defendeu, durante a sessão especial “II Guerra Mundial aos Olhos do Público Contemporâneo — Um Diálogo com o Diretor do Museu de Auschwitz”, realizada hoje na Universidade Católica, em Lisboa.

“O nosso mundo está a mudar muito rapidamente e não sabemos como vai estar em 10 anos ou até em duas semanas. Não sabemos o que vai ser, até das democracias. Precisamos de pontos de referencia”, afirmou, sublinhando que essas referências “têm de estar fortemente ancoradas na realidade”.

É preciso “alguma coisa que nos ajude a definir os nossos deveres, quando temos de reagir, alguma coisa muito forte para nos servir de ponto de referência. E não temos, na História, nada tão credível como a História de Auschwitz. É uma questão de memória”, frisou.

Uma memória que, como lembrou o diretor do museu instalado no local do campo de concentração nazi alemão de Auschwitz, na Polónia, foi alvo de tentativas de alteração em várias fases.

“Nos anos 1980 houve quem negasse o Holocausto e essa versão foi mesmo ensinada em algumas universidades debaixo do guarda-chuva da liberdade de expressão” e, nos anos 1990, a seguir à reunificação da Alemanha, este país tentou alterar a nomenclatura dos campos, o que “foi muito penoso para vítimas polacas”.

No ano passado, adiantou Piotr Cywinski, quando se assinalou o 80.º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz, foram publicadas dezenas de livros.

Nenhum dos autores “nos contactou para verificar dados, mesmo aqueles que dizem estar muito bem documentados”, criticou, garantindo que alguns desses livros “contêm absurdos, coisas que nunca poderiam ter acontecido nos campos”.

Por outro lado, acrescentou o diretor do museu, há muitas histórias criadas por Inteligência Artificial e divulgadas nas redes sociais que “são falsas”.

“São histórias muito emotivas, mas também com muitas distorções. As histórias são falsas, as imagens são falsas e mudam um pouco a imaginação das pessoas” sobre o que Auschwitz foi, prosseguiu.

“Todas as distorções são muito perigosas”, concluiu.

Promovida pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e pela embaixada da Polónia em Portugal, a sessão com Piotr Cywinski visou refletir sobre a memória da Segunda Guerra Mundial e os desafios da preservação histórica.

Com 53 anos, o historiador polaco Piotr Cywinski dirige o Memorial e Museu de Auschwitz-Birkenau desde 2006.

PMC // SCA

By Impala News / Lusa

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