Do berço ao Poder: Kim Jong-un prepara filha para herdar o trono na Coreia do Norte
O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) revela que Kim Ju-ae já não está apenas em “treino”, mas entrou na fase oficial de “nomeação como sucessora”. A jovem adolescente tem ganho protagonismo sem precedentes ao lado do Líder Supremo.
A dinastia Kim, que governa a Coreia do Norte com mão de ferro desde 1948, parece estar a preparar o terreno para a sua quarta geração. Segundo relatórios recentes apresentados ao Parlamento de Seul, Kim Ju-ae, a filha adolescente de Kim Jong-un, foi elevada a um novo estatuto dentro da hierarquia de Pyongyang. O que antes era visto como uma estratégia de imagem familiar, é agora interpretado como um plano de sucessão estruturado.
O sinal decisivo no Palácio do Sol
Um dos momentos mais simbólicos desta ascensão ocorreu em janeiro de 2026, quando Ju-ae acompanhou o pai numa visita ao Palácio do Sol de Kumsusan. Este local é o mausoléu onde repousam os corpos embalsamados de Kim Il-sung e Kim Jong-il, fundadores da linhagem “Paektu”.
A presença da jovem neste local sagrado para o regime, onde prestou homenagem aos antepassados, é lida por analistas internacionais como a confirmação de que ela é a escolhida para manter o sangue da família no poder.
De “Filha Amada” a “Grande Guia” da Coreia do Norte
A mudança na linguagem utilizada pelos meios de comunicação estatais norte-coreanos também não passou despercebida. Inicialmente tratada como a “filha amada”, Ju-ae começou a ser referida com termos como “Hyangdo” (Grande Guia), um título honorífico anteriormente reservado apenas aos líderes supremos e aos seus herdeiros diretos.
Além da semântica, o NIS sublinha que a jovem já terá começado a expressar opiniões sobre políticas de Estado durante inspeções no terreno, demonstrando que o seu papel vai muito além do figurativo.
Outros casos: O mistério dos outros herdeiros
A sucessão na Coreia do Norte sempre foi envolta em mistério. Recorde-se que o próprio Kim Jong-un apenas foi apresentado ao mundo pouco antes de assumir o poder após a morte de seu pai, em 2011.
No entanto, o caso de Ju-ae é distinto pela sua exposição precoce. Enquanto rumores indicavam a existência de um filho mais velho (que supostamente teria problemas de saúde ou estaria a estudar no estrangeiro), os serviços secretos sul-coreanos afirmam agora que essas informações “não são credíveis”, solidificando a posição da filha como a única face visível da sucessão.
O próximo passo: O Congresso do Partido
Todas as atenções estão agora viradas para o 9.º Congresso do Partido dos Trabalhadores, previsto para o final deste mês de fevereiro. Analistas acreditam que Ju-ae poderá receber um cargo oficial, possivelmente como Primeira Secretária do Comité Central, o que a tornaria oficialmente a “número dois” na hierarquia da Coreia do Norte.
A confirmação desta nomeação quebraria barreiras numa sociedade profundamente patriarcal, tornando-a a primeira mulher a liderar o país mais isolado do mundo.