Comissão de Paz analisa com UE segunda fase do plano para Gaza
O diretor executivo da Comissão de Paz para Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, analisou hoje com a comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, a melhor forma de executar a segunda fase do acordo de paz para o enclave.
A reunião tem como pano de fundo a próxima cimeira de líderes organizada em Washington pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para a próxima quinta-feira.
Nas redes sociais, Suica escreveu que ambos defenderam ser importante avançar com a segunda fase do acordo de paz de Trump para Gaza, que prevê a entrada em funções de uma administração de tecnocratas palestinianos no enclave.
“A União Europeia está pronta para apoiar a CNAG e a Comissão de Paz” liderada por Mladenov, afirmou a comissária croata.
“Temos muito a oferecer através dos nossos instrumentos humanitários, de segurança e diplomáticos para prestar serviços básicos, reabilitar infraestruturas críticas e apoiar a governação de transição, incluindo uma Autoridade Palestiniana reformada, o reposicionamento da missão em Rafah e a formação da polícia local”, acrescentou.
Suica recordou que “a colaboração com Israel continua a ser essencial para garantir o acesso, a segurança e a viabilidade da Autoridade Palestiniana”.
A 12 deste mês, as autoridades da Faixa de Gaza, controladas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), insistiram na urgência da chegada do CNAG para iniciar rapidamente as funções governativas.
A entidade é composta por tecnocratas palestinianos independentes e foi criada ao abrigo do plano de paz dos Estados Unidos para o Médio Oriente.
“Reafirmamos que todas as instituições e departamentos governamentais da Faixa de Gaza, bem como os seus funcionários em todos os setores, estão plenamente preparados para colaborar e cooperar com o CNAG para servir o interesse público, contribuir para melhorar o nível dos serviços e aliviar o sofrimento dos cidadãos”, acrescentaram.
Além disso, sublinharam a importância da “unidade do território palestiniano e da unidade geopolítica entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza”, destacando que o reforço da unidade e da coesão interna constitui “uma prioridade nacional suprema nesta conjuntura crítica”.
A 07 de outubro de 2023, o Hamas conduziu um ataque contra Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 raptadas. Em retaliação do ataque do Hamas, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que causou mais de 72 mil mortos, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
A segunda fase do plano dos Estados Unidos para colocar um fim à guerra em Gaza, depois de o Hamas ter entregue o último refém que ainda mantinha, prevê a criação de um governo tecnocrata palestiniano, o CNAG.
Os membros da estrutura tecnocrática para gerir assuntos correntes do enclave palestiniano vão ficar sob supervisão de outro órgão também previsto no plano de Washington, o Conselho de Paz, liderado por Trump.
O plano de Trump prevê que Gaza “será governada por um comité palestiniano tecnocrático e apolítico, responsável pela gestão diária dos serviços públicos e das autarquias para a população”.
O CNAG é composto por 15 membros, entre os quais apenas uma mulher. O comité é integrado por palestinianos e liderado pelo engenheiro Ali Shaaz, natural de Khan Yunes (sul da Faixa de Gaza), mas residente na Cisjordânia, que exerceu funções de vice-ministro dos Transportes na década de 1990 na Autoridade Nacional Palestiniana (ANP).
A segunda fase da trégua, que entrou em vigor a 10 de outubro, prevê, entre outros, o desarmamento do Hamas, a retirada gradual do exército israelita, que ainda controla mais de metade do território, e o envio de uma força internacional de estabilização.
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By Impala News / Lusa