Candidato presidencial de esquerda derrotado na Colômbia apela à calma após confrontos

O candidato presidencial de esquerda Iván Cepeda apelou hoje à serenidade e à mobilização pacífica, após os confrontos registados em várias cidades da Colômbia na sequência da vitória eleitoral do candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella.

Candidato presidencial de esquerda derrotado na Colômbia apela à calma após confrontos

“Desejo fazer um apelo muito cordial à serenidade e à calma”, afirmou Cepeda numa conferência de imprensa, dizendo desejar que todas as manifestações decorram “estritamente dentro dos limites da serenidade e da mobilização pacífica”.

Os protestos começaram na noite de domingo, após o anúncio dos resultados eleitorais da segunda volta presidencial, e degeneraram em confrontos com a polícia em Bogotá e Cali, a terceira maior cidade do país.

Milhares de manifestantes saíram às ruas sob o lema “Resistência”, contestando a vitória tangencial de Abelardo de la Espriella, apoiado politicamente pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Em Cali, uma marcha inicialmente pacífica, acompanhada por música indígena, terminou em confrontos entre manifestantes e a polícia antimotim, que recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Ao mesmo tempo, enquanto De la Espriella discursava perante apoiantes na cidade de Barranquilla, manifestantes queimavam pneus e bandeiras dos Estados Unidos em diferentes pontos do país.

Na capital colombiana, centenas de pessoas concentraram-se junto à Universidade Nacional, um símbolo da educação pública, mas a manifestação tornou-se violenta quando alguns participantes incendiaram barricadas e lançaram objetos contra as forças de segurança, que responderam igualmente com gás lacrimogéneo.

Entre os manifestantes predominava a preocupação com as posições políticas do Presidente eleito, sobretudo em matérias sociais, ambientais e económicas.

“Precisamos de alguém que se preocupe com todos nós, não apenas com alguns”, afirmou, em declarações à agência francesa AFP, uma estudante identificada como Natalia, de 26 anos, acusando os governos de direita de favorecerem as elites económicas.

Outros participantes criticaram a defesa do ‘fracking’ por parte de De la Espriella, uma técnica de extração de petróleo e gás contestada por organizações ambientalistas devido aos seus impactos ambientais.

“Este tipo é contra a natureza, contra os animais. Não trará nada ao país”, disse Andrés Penuela, empregado de balcão de 21 anos, também citado pelas agências internacionais.

Durante os protestos, vários manifestantes exibiram imagens de Cepeda e cartazes em defesa do candidato derrotado, que continua a aguardar a conclusão da contagem final dos votos e ainda não reconheceu formalmente a vitória do adversário.

A eleição de De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos que promete uma agenda ultraliberal centrada na segurança e na redução da intervenção do Estado na economia, aprofundou a polarização política no país e desencadeou uma das mais expressivas vagas de protestos desde a divulgação dos resultados eleitorais.

De la Espriella prometeu uma “nova era” na Colômbia depois de vencer no domingo por uma margem apertada a segunda volta das eleições presidenciais, levando o país, assolado pela violência de grupos armados, numa viragem à direita.

Com a sua vitória, a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, torna-se o mais recente país latino-americano a inclinar-se para a direita, seguindo os passos da Argentina, do Chile e do Equador, cujos líderes, alinhados com Washington, não tardaram a felicitá-lo.

Admirador dos presidentes populistas de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei, De la Espriella prometeu construir mega-prisões onde os detidos receberiam “pão e água”, bombardear campos de narcotráfico com o apoio dos Estados Unidos e de Israel, e reduzir a dimensão do aparelho de Estado em 40%.

 

RJP // SCA

By Impala News / Lusa

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