Banco Mundial preocupado com riscos de insegurança alimentar causados pela guerra

O conflito no Médio Oriente e os seus efeitos nos preços dos fertilizantes e dos hidrocarbonetos colocam em risco de insegurança alimentar mais milhões de pessoas, alertou o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.

Banco Mundial preocupado com riscos de insegurança alimentar causados pela guerra

“Já há cerca de 300 milhões de pessoas que sofrem de insegurança alimentar aguda” no mundo, referiu Indermit Gill. E “este número vai aumentar cerca de 20% muito, muito rapidamente”, advertiu aquele responsável, à margem dos encontros de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington.

A causa é a subida dos preços do petróleo, do qual derivam a maioria dos fertilizantes.

Para reduzir os seus custos, os agricultores diminuem a utilização de fertilizantes, o que reduz a produção mundial de cereais e poderia levar alguns países a banir as exportações, fazendo subir ainda mais os preços dos alimentos.

“Estas proibições de exportação preocupam-nos enormemente”, afirmou Indermit Gill.

Nos primeiros dias de guerra, o Irão anunciou, assim, a suspensão de toda a exportação de alimentos.

Se um cessar-fogo não for rapidamente encontrado, “a fome começará a afetar” os países mais vulneráveis “em cheio”, avaliou o economista do Banco Mundial.

Por enquanto, a Ásia é o continente mais afetado pelas dificuldades relacionadas com a subida dos preços dos hidrocarbonetos, mas “à medida que a crise se prolongar, elas irão muito rapidamente espalhar-se, primeiro para África”, sublinhou.

Quanto aos preços dos alimentos, poderá haver, no entanto, um desfasamento. “Os produtos alimentares atualmente comercializados já foram cultivados”, destacou Gill, e os receios concentram-se portanto mais nas colheitas futuras.

O cocktail de aumentos dos preços do combustível e dos produtos alimentares vai acelerar a inflação, que passaria de 3% a nível mundial, este ano, para 4,7%, segundo o cenário mais pessimista do Banco Mundial.

A instituição baseia-se para esta perspetiva na hipótese de um conflito em curso até agosto, um cenário “não mais extremo do que isso” à medida que os dias passam, estimou Indermit Gill.

 Se o aumento dos preços “se instalar, em particular nos produtos que os mais desfavorecidos consomem relativamente mais frequentemente”, como energia e alimentação, terá “consequências desastrosas”, alertou o economista.

 Ao mesmo tempo, o crescimento mundial poderia ser cortado em cerca de 40% em 2026, se a guerra persistir este verão.

Segundo o responsável do Banco Mundial, uma inflação mais elevada conjugada com um crescimento mais baixo constituiria um “duplo golpe duro” para a viabilidade da dívida dos países pobres, comprometendo ainda mais a sua capacidade de enfrentar novas crises.

Além disso, a relativa resistência das grandes economias, como as dos Estados Unidos, da China ou da Índia a estes sobressaltos, esconde nas estatísticas as dificuldades vividas por outros países, sublinhou Gill.

“Quando se excluem destas estimativas” as primeiras economias mundiais, “começa-se a ver muitas mais vulnerabilidades”, concluiu.

ATR // RBF

By Impala News / Lusa

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