Animais selvagens devastam mais de 12 mil hectares agrícolas no sul de Moçambique
Mais de 12 mil hectares agrícolas foram devastados por animais selvagens no distrito de Massingir, província moçambicana de Gaza, comprometendo a segurança alimentar e reduzindo a colheita da atual campanha para apenas 11% do inicialmente previsto, foi hoje anunciado.
O alerta foi lançado hoje pelo administrador distrital de Massingir, Sérgio Costa, que apontou o agravamento do conflito entre comunidades e a fauna bravia como uma das principais ameaças à produção agrícola naquela região do sul de Moçambique, onde milhares de famílias dependem da agricultura de subsistência.
“Aqui, em Massingir, produz-se tudo, mas esse esforço redunda em fracasso por conta dos animais que estão a invadir machambas [terreno agrícola] e a devastar culturas”, declarou Sérgio Costa, falando aos jornalistas.
Segundo o responsável, o distrito planificou cultivar 16.973 hectares durante a primeira época da atual campanha agrária, mas mais de 12 mil hectares acabaram destruídos por animais como elefantes e búfalos, provenientes de áreas de conservação próximas, reduzindo drasticamente os níveis de produção agrícola.
“Só conseguimos colher um pouco mais de três mil hectares. Isto já denota o quão necessitados nos encontramos do ponto de vista de segurança alimentar”, afirmou o administrador distrital, acrescentando que os níveis de colheita representam apenas 11% da meta inicialmente estabelecida.
Sérgio Costa explicou que o conflito homem-fauna bravia está a forçar muitas famílias a anteciparem a colheita do milho para evitar novas perdas, situação que compromete a capacidade de conservação dos produtos agrícolas por longos períodos e agrava os riscos de insegurança alimentar nas comunidades afetadas.
Por isso, defendeu maior coordenação com o Parque Nacional do Limpopo para travar a invasão de animais nas zonas de produção agrícola.
O conflito entre comunidades e animais selvagens tem sido recorrente em várias regiões de Moçambique, sobretudo nas zonas próximas de áreas de conservação e margens de rios.
Em 29 de abril, a primeira-ministra moçambicana, Maria Benvinda Levi, pediu soluções e aprimoramento de mecanismos para reduzir o conflito entre o homem e animais no país, referindo que a vida humana é “mais importante”.
Um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano indicou que, em 2023, o número de mortos devido a ataques de animais selvagens quase triplicou num ano, chegando a 159 vítimas.
Segundo o mesmo relatório, viviam em 2023 no interior das áreas protegidas moçambicanas 205.375 pessoas, em 162 comunidades, às quais se somam 501.737 em 504 comunidades nas zonas tampão a estes parques e reservas.
Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que 159 pessoas morreram em 2023 devido a ataques de animais selvagens em Moçambique, enquanto informações da Administração Nacional das Áreas de Conservação apontam que a fauna bravia destruiu 955 hectares de culturas agrícolas entre 2019 e 2023 no país.
EYMZ (LN) // MLL
By Impala News / Lusa