Acordo EUA-Irão: Ormuz reabre, bloqueio naval levanta-se e nuclear entra em negociação
Os Estados Unidos e o Irão chegaram a acordo para pôr fim ao conflito armado que nos últimos dias perturbou os mercados energéticos globais. O Estreito de Ormuz reabre à navegação, o bloqueio naval norte-americano é levantado e o programa nuclear iraniano entra em negociação num prazo de 60 dias. A assinatura formal está prevista para 19 de junho, na Suíça.
O conflito entre os EUA e o Irão, que nos últimos dias ameaçou desestabilizar o Médio Oriente e os mercados energéticos globais, chegou a um ponto de viragem. Trump confirmou o acordo nas redes sociais: “Acabámos de alcançar um acordo muito bom para terminar a guerra com o Irão”. O Paquistão anunciou o acordo, que foi mediado pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif, e Trump confirmou de imediato: “Autorizo plenamente a abertura sem cobrança do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos”.
O Presidente português saudou o acordo, tal como a União Europeia. Alemanha, França, Itália e Reino Unido manifestaram disponibilidade para levantar sanções contra o Irão após a assinatura formal do acordo.
O que o acordo prevê
Os termos do memorando de entendimento, cujo texto completo só será divulgado após a assinatura formal, incluem a reabertura imediata do Estreito de Ormuz à navegação internacional, o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, e a libertação de 24 mil milhões de dólares em ativos iranianos congelados, metade dos quais de imediato após a assinatura.
Quanto ao programa nuclear iraniano, o Irão não assume novos compromissos imediatos. Entra antes num período de 60 dias de negociações intensas para discutir os detalhes de longo prazo, dentro daquilo que Teerão descreve como “os seus princípios fundamentais”, incluindo o direito ao enriquecimento de urânio. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, confirmou o acordo em televisão estatal e garantiu que o texto será divulgado após a assinatura formal.
Ormuz reabre: o impacto nos mercados
A reabertura do Estreito de Ormuz é a consequência mais imediata e mais visível do acordo. Por aquele corredor de 33 quilómetros passam diariamente entre 17 e 21 milhões de barris de petróleo, e o seu encerramento tinha gerado volatilidade nos mercados energéticos globais. Seiscentos navios estavam já preparados para retomar a navegação assim que as condições de segurança fossem garantidas, e os armadores aguardam agora informações concretas sobre o calendário de reabertura.
A posição de Israel
O único ponto de tensão relevante no pós-acordo é a posição de Israel. Israel é o único ator relevante que não aceita o acordo, e os analistas debatem até que ponto um eventual ataque israelita ao território iraniano poderia pôr em causa o entendimento recém-alcançado. A cimeira do G7, que decorre em França e tem na sua agenda a (Ucrâniae o Médio Oriente, deverá abordar esta questão.
A assinatura em Genebra
A cerimónia oficial de assinatura do memorando de entendimento está prevista para sexta-feira, 19 de junho, em Genebra, na Suíça. Trump confirmou o acordo e anunciou a reabertura de Ormuz pouco depois do anúncio do primeiro-ministro paquistanês. Cada lado apresentou o desfecho como uma vitória: os EUA sublinharam a impossibilidade de o Irão adquirir armas nucleares; a imprensa estatal iraniana retratou o resultado como uma capitulação norte-americana.