Ex-presidente cubano Raúl Castro reaparece em público após acusações dos EUA
O ex-presidente de Cuba Raúl Castro apareceu em público pela primeira vez desde que foi indiciado pelos Estados Unidos pelo alegado envolvimento no abate de dois aviões civis em 1996, como mostrou um vídeo oficial divulgado hoje.
A celebração do 95.º aniversário de Raúl Castro com altos funcionários e líderes militares no Ministério do Interior, em Havana, na noite de sexta-feira, ofereceu ao governo socialista de Cuba uma oportunidade de cerrar fileiras e projetar desafios, enquanto a administração Trump intensifica a sua campanha de pressão sobre a ilha, que sofre com a escassez de combustível.
Segundo a agência Associated Press (AP), a televisão estatal transmitiu imagens de Castro, vestido com o seu uniforme militar verde azeitona, a entrar num teatro lotado e a receber uma ovação de pé, seguido pelo seu neto e guarda-costas, Raúl Guillermo Rodríguez, e pelo Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
Díaz-Canel fez uma homenagem efusiva ao “heroísmo e dignidade” demonstrados por Castro e pelo seu falecido irmão, a figura central da revolução cubana, Fidel Castro.
Elogiou Raúl Castro, que serviu como ministro da Defesa de Cuba durante quase 50 anos, pela sua “coragem e lealdade [que] fizeram dele um alvo, desde muito cedo, dos serviços secretos dos inimigos”.
Numa resposta mais direta às provocações da administração Trump, Díaz-Canel advertiu que “haverá uma batalha decisiva e resoluta” se os EUA concretizarem as suas ameaças de invadir a ilha.
“Raúl é Raúl”, afirmou, fazendo eco do slogan que tem aparecido em outdoors por toda a cidade de Havana e numa enxurrada de publicações nas redes sociais desde a acusação formal de Raúl Castro pelos EUA, em 20 de maio, por homicídio — uma aparente tentativa de mobilizar a unidade nacional para contrariar a imagem de isolamento do governo. “Raúl é Cuba, e Cuba é intocável”, diz o slogan.
A celebração na madrugada de sexta-feira, dois dias depois de Castro ter completado 95 anos, marcou uma rara aparição pública do discreto, mas influente, general do exército cubano. Embora se tenha retirado formalmente da política em abril de 2021, acredita-se que Castro exerça um poder político considerável.
A acusação do Departamento de Justiça norte-americano, revelada no mês passado, acusa Castro de ter ordenado o abate, em 1996, de aviões civis pilotados por exilados baseados em Miami. Foi o ponto mais alto de uma série de escaladas desde que a administração Trump praticamente cortou o abastecimento de petróleo a Cuba em janeiro, agravando os problemas de longa data da ilha, como cortes de energia e uma crise de saúde pública.
A administração Trump exige que o governo socialista de Cuba liberte presos políticos, implemente grandes reformas económicas e mude a sua forma de governação para evitar tornar-se uma ameaça à segurança nacional. Cuba afirmou que não representa qualquer ameaça para os EUA.
SV // JPS
By Impala News / Lusa