Presidente diz que missões continuam “em dia” enquanto tenta renovação de apoios a Moçambique

O Presidente moçambicano assumiu hoje que espera renovar as missões de apoiam Moçambique no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, do Ruanda e de assistência da União Europeia (UE), sublinhando que ainda estão “em dia”.

Presidente diz que missões continuam

“Queria deixar claro que nós, neste momento, estamos com as missões em dia. Ainda não chegamos em maio [fim do ciclo de financiamento à missão do Ruanda] e ainda não chegamos em junho [fim do mandato missão de assistência da UE]. Então, (…) o que eu posso-lhe dizer é que, neste momento, tanto uma missão como a outra continuam em Moçambique”, disse Daniel Chapo aos jornalistas.

Daniel Chapo encerrou hoje uma visita de quatro dias à Bélgica, onde reuniu, nomeadamente, na Comissão Europeia, na mesma altura em que o Ruanda admitiu retirar o contingente de mais de 2.000 militares que desde 2021 apoiam o combate ao terrorismo em Cabo Delgado se não tiver garantias de financiamento, tendo em conta que o último pacote de apoio da UE, novamente de 20 milhões de euros, atribuído em 2024 para logística e equipamento, termina em maio.

Questionado pelos jornalistas no final da visita, Chapo admitiu que também está a “ouvir essas vozes”, mas afirmou que o Governo não tem “nenhuma informação oficial do término destas missões”.

Além do Ruanda, em causa está a Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique, liderada por Portugal e financiada pela UE, de treino e apoio às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), focado na capacitação das Forças de Reação Rápida (QRF) para combater a insegurança em Cabo Delgado, prorrogada antes até junho próximo.

“O conceito de missão é que começa e termina. Portanto, é um período normal e, não tendo terminado, nós continuamos a trabalhar, já que tanto uma missão como outra está em dia, e nós, neste momento, vamos cumprindo, portanto, o período, à espera que, no fim da missão, (..) haja definição de ambas as partes”, disse Chapo.

“Mas nós não temos nenhuma informação pela parte da UE de comunicação do fim. (…) E nós estamos a acompanhar para que realmente, tanto por parte da UE como por parte dos países, possamos encontrar formas e soluções de acompanhar o fim sem que haja consequências”, acrescentou.

A Comissão Europeia disse na terça-feira estar em “diálogo contínuo” com Moçambique para definir eventuais apoios em termos de “medidas de segurança” em Cabo Delgado, mas frisou que decisões sobre o destacamento ruandês devem ser feitas entre os dois países.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, avisou no domingo que o destacamento ruandês vai sair do norte de Moçambique caso não haja garantias de “financiamento sustentável” à operação.

A posição surge quando se aproxima o fim do apoio financeiro UE à operação, em maio, ao fim dos 36 meses previstos e de desembolsos de 40 milhões de euros, e numa altura em que os Estados Unidos — que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado — aplicaram sanções às Forças de Defesa do Ruanda (RDF), devido ao conflito na República Democrática do Congo.

“Não investimos centenas de milhões de dólares e os nossos soldados das RDF não fizeram o sacrifício supremo para estabilizar esta região, permitir que os deslocados internos regressassem a casa, as crianças regressassem à escola, as empresas reabrissem e os mega investimentos em GNL fossem retomados, apenas para ver os nossos valentes soldados a serem constantemente questionados, vilipendiados, criticados, culpados ou sancionados pelos mesmos países que beneficiam enormemente da nossa intervenção em Moçambique”, avisou Nduhungirehe.

PVJ // JMC

By Impala News / Lusa

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