Chile blinda centro da capital por causa de protestos contra aumento histórico do combustível

O governo chileno blindou quinta-feira Santiago do Chile, com barreiras no centro, encerramento de estações de metro, desvio do tráfego e um enorme dispositivo policial para evitar protestos pela entrada em vigor do histórico aumento dos preços dos combustíveis.

Chile blinda centro da capital por causa de protestos contra aumento histórico do combustível

Embora tanto o presidente da República, José Antonio Kast, como o delegado presidencial da capital tenham defendido o direito à manifestação pacífica, a verdade é que o dispositivo impediu o acesso ao centro de Santiago do Chile, a capital do país, onde apenas um pequeno grupo de estudantes conseguiu chegar à sede do antigo congresso, local para onde o protesto estava convocado.

Igualmente, as autoridades dificultaram o acesso à imprensa, principalmente estrangeira, ao centro de Santiago, onde as estações de metro foram encerradas.

Meios locais informaram sobre alguns distúrbios e confrontos entre manifestantes e agentes de intervenção da Polícia militarizada, Carabineros do Chile, que usou camiões com mangueiras de água sob pressão e blindados com gás pimenta.

“Não afetemos mais a pátria do que já está afetada”, afirmou Kast durante a apresentação no Palácio de La Moneda, igualmente blindado, do decreto aprovado pelo Congresso para mitigar o controverso aumento dos combustíveis.

“Se alguém quiser manifestar o seu desagrado, que não use o transporte público, sobretudo o metro, para se manifestar. Podem fazê-lo em qualquer lugar público, mas sem prejudicar outros compatriotas que necessitam desse transporte”, acrescentou, recordando os acontecimentos de 2019, quando o aumento do custo do metro desencadeou a maior onda de protestos do Chile desde o fim da ditadura.

Nesse contexto, assegurou que o Estado responderá “com toda a força da lei” contra quem gerar violência.

O mandatário, ultraconservador, voltou hoje a defender a sua decisão de preferir não endividar os cofres do estado e fazer repercutir o custo da guerra sobre a população com um aumento histórico do combustível no meio de protestos contra ele. “Falar com a verdade dá-nos muita tranquilidade. Uma alternativa, como foi proposto, era endividar mais a nação. Isso acaba por se pagar mais caro”, argumentou Kast numa cerimónia em que apresentou o primeiro pacote de medidas paliativas, aprovado pelo congresso.

Ao estilo da Administração de Donald Trump, que diz admirar, Kast apresentou-se numa sala do palácio de La Moneda com os ministros da área económica e, junto a estes, mostrou à imprensa a pasta com o decreto assinado.

As medidas incluem um congelamento das tarifas do transporte público e escolar em Santiago, que já tinham sido aumentadas há um mês, ajudas para taxistas e alguns transportadores e redução do preço da parafina para o inverno.

Medidas que já foram criticadas como “insuficientes” tanto pela oposição como por alguns partidos da direita, uma vez que deixam de fora o gás, que é a energia mais utilizada pelos chilenos de toda classe social, e não servem para travar o aumento dos preços que já se começou a sentir em toda a cadeia logística, num país sem comboios e apenas eletrificado.

Neste contexto, diferentes sindicatos de transportadores já alertaram que os preços “sem dúvida vão aumentar” e anunciaram mobilizações e cortes do trânsito a partir desta sexta-feira em todo o país.

Hoje, o preço da gasolina aumentou mais de 40% e o do gasóleo acima de 60% num país que depende do transporte por camiões.

ATR // RBF

By Impala News / Lusa

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