Banca moçambicana corta taxa de juro para 15,60% em março

A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique vai descer 10 pontos-base no mês de março, para 15,60%, o segundo corte este ano, anunciou hoje a Associação Moçambicana de Bancos (AMB), .

Banca moçambicana corta taxa de juro para 15,60% em março

Desde janeiro de 2024, a taxa, conhecida como ‘prime rate’, tem vindo progressivamente a descer, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.

Em janeiro, a AMB decidiu cortar igualmente 10 pontos-base à taxa, para 15,70% e em fevereiro manteve-a inalterada, apesar do corte na taxa diretora decidida pelo banco central.

As oscilações da ‘prime rate’ estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO, que influencia a fórmula de calculo da ‘prime rate’) pelo banco central, para controlar a inflação.

Na reunião de 28 de janeiro, o Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu cortar, pela 12.ª vez consecutiva, a taxa de juro de política monetária MIMO, em 0,25 pontos base, para 9,25% – redução que não foi seguida imediatamente pelos bancos em fevereiro -, prevendo a sua estabilização, mas alertando para o efeito das cheias nos preços.

“Esta decisão é sustentada pelas perspetivas de manutenção da inflação a um dígito no médio prazo, não obstante a materialização de alguns riscos e incertezas associados às projeções da inflação, com destaque, podem já imaginar, para a ocorrência das inundações e para a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas. Este é o mundo que estamos a enfrentar neste momento”, anunciou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, no final da reunião.

Os receios de Zandamela prendem-se com as cheias em Moçambique desde o início de janeiro, provocando acima de 720 mil pessoas afetadas e mais de 20 mortos, além de várias populações sitiadas e vias bloqueadas há semanas e prejuízos calculados provisoriamente em cerca de 600 milhões de euros.

“Entretanto, em face do agravamento destes riscos e das incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO iniciado em janeiro de 2024”, disse ainda Zandamela, recordando que a trajetória descendente poderia prolongar-se, na previsão inicial, até 36 meses.

“A perspetiva da inflação mantém-se em um dígito no médio prazo. Em dezembro de 2025, a inflação anual fixou-se em 3,2%, após 4,4% em novembro. Estamos com sucesso na inflação, a um nível razoável. O nível baixo da nossa inflação é algo que nos orgulha”, apontou.

Zandamela insistiu que, “em face do agravamento dos riscos e incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO, iniciado em janeiro de 2024.

 

PVJ // APL

By Impala News / Lusa

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