Marcas de tampões respondem a estudo sobre metais pesados
Saiba a posição oficial da P&G e da FDA sobre os tampões venenosos. Descubra se as marcas mais vendidas em Portugal são seguras e o que dizem os novos testes.
Após a publicação do estudo da Universidade de Berkeley, o silêncio inicial das marcas deu lugar a comunicados que tentam tranquilizar as consumidoras. No entanto, a pressão pública e política subiu de tom, levando a investigações rigorosas por parte dos reguladores internacionais e nacionais.
O que dizem as marcas mais vendidas
As empresas que dominam o mercado português, como a Procter & Gamble (P&G) – detentora da marca Tampax –, têm mantido uma posição de defesa da segurança dos seus ingredientes.
- • Segurança dos ingredientes: A P&G afirma no seu portal oficial que todos os componentes são rigorosamente testados e que metais pesados como o chumbo, arsénio ou mercúrio não são adicionados intencionalmente às fórmulas.
- Conformidade legal: As marcas sublinham que os seus produtos cumprem todas as normas de segurança vigentes na União Europeia e nos EUA (FDA).
- • Processos judiciais: Em resposta direta ao estudo, surgiram várias ações coletivas contra gigantes como a P&G e a Kimberly-Clark, alegando falta de transparência sobre a presença destes metais.
A posição decisiva da FDA e o contexto em Portugal

A FDA (Food and Drug Administration) tomou a dianteira na investigação deste caso. Em janeiro de 2025, o regulador publicou uma revisão de literatura que, embora não tenha identificado riscos imediatos para a saúde, não encerrou o assunto.
- • Investigação em curso: A FDA está a realizar testes laboratoriais internos para medir se os metais são realmente libertados e absorvidos pelo corpo durante o uso normal (não apenas se estão presentes no algodão).
- • Novas diretrizes (Outubro 2025): Foi publicada uma proposta de guia (draft guidance) que exige maior rigor nos testes de biocompatibilidade e na transparência dos materiais usados em produtos menstruais.
- • Infarmed em Portugal: A autoridade nacional acompanha as diretrizes da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Até ao momento, não houve qualquer ordem de retirada de mercado, mantendo-se a recomendação de que os produtos certificados são seguros para uso, enquanto se aguardam os resultados finais sobre a absorção sistémica.
O alerta dos especialistas: O “pior cenário”
Apesar das garantias das marcas, especialistas de Harvard e Berkeley insistem que a monitorização deve ser contínua. O facto de o chumbo ter sido detetado em 100% das amostras significa que as marcas podem não estar a controlar eficazmente a sua cadeia de abastecimento de algodão.
Muitas mulheres já estão a optar por marcas que oferecem transparência total e certificados de “resíduo zero” de metais pesados, fugindo ao que a opinião pública já apelida de tampões venenosos.
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