Detox pós-festividades – Os 4 pilares do ‘recomeço’ e o alerta de especialista: “Não é sobre punição…”
Depois do Natal e do Ano Novo vem o recomeço: o detox pós-festividades … os bons hábitos ou talvez uma mudança. Saiba o que nos diz a Dra. Juliana Falchetti, especialista em nutrigenética.
Depois do Natal e do Ano Novo vem o recomeço: o detox pós-festividades … os bons hábitos ou talvez uma mudança. A Dra. Juliana Falchetti, especialista em nutrigenética da Clínica Pilares da Saúde, conta à VIP quais são os pilares deste Detox.
“O corpo humano tem, naturalmente, capacidade de se desintoxificar. Ele faz isso todos os dias. O que acontece é que muitas pessoas extrapolam, não se controlam, e depois acreditam que o organismo foi “contaminado” por um ou dois dias de excessos. Para muitas pessoas, esta agressão alimentar não acontece apenas nas festas; ela acontece ao longo de todo o ano. Quando alguém chega a um ponto de descontrolo intenso, isso geralmente reflete uma descompensação metabólica progressiva. O corpo perde a capacidade de filtrar quantidade e qualidade. E, neste cenário, falar apenas do “pós” é insuficiente. É preciso olhar para o caminho que levou até este ponto mais sensível”, começou por explicar.
E acrescentou: “Após períodos de grande ingestão de hidratos de carbono, açúcares e álcool, outro erro comum surge: a tentativa de compensação com planos alimentares baseados quase exclusivamente em frutas e verduras. Este modelo ignora necessidades fisiológicas básicas. O corpo precisa de proteína e gordura.”
Então, o que deve ‘conter’ esse detox?
A Dra. revela os pilares mais importantes deste ‘detox’: “Reduzir hidratos de carbono de forma efetiva não significa apenas retirar pão ou glúten e compensar com arroz, batata ou grãos. Este padrão perpetua picos de glicose e insulina, queda abrupta de energia e estímulo contínuo ao desejo por açúcar.
A ausência adequada de proteína e gordura compromete a saciedade real. Proteína sacia, sim, mas quando associada à gordura, o efeito é muito mais consistente. Carnes excessivamente magras, isoladas, raramente sustentam um estado metabólico estável. Em contextos de recuperação pós-exagero, carnes com gordura natural ou a adição consciente de gordura são fundamentais. Evidentemente, tudo isso deve ser ajustado à realidade metabólica de cada pessoa, especialmente em casos de sobrepeso importante.
A hidratação é outro pilar fundamental. A desidratação é extremamente comum e interfere na perceção de fome e saciedade. Muitas vezes, o corpo não pede comida; pede água. E não apenas água, mas água com minerais. Os sais minerais são essenciais para a troca energética e para o equilíbrio metabólico.
Quanto ao exercício físico, ele deve existir, mas não como ferramenta de compensação. Exercício não é bengala. Não é moeda de troca por exageros. Movimentar-se faz parte da vida, mas, em certos momentos, caminhar, silenciar, refletir e observar-se pode ser mais transformador do que treinos extenuantes.
O sono, por sua vez, é absolutamente indispensável. Deficiências nutricionais acumuladas ao longo da vida comprometem a qualidade do sono, reduzem o sono profundo e impactam diretamente hormonas, energia e comportamento alimentar. A falta de sono altera o metabolismo de macronutrientes, intensifica desejos e desorganiza o ciclo circadiano, criando um ciclo vicioso difícil de romper apenas com “força de vontade”.”
Por fim, remata: “Detox não é sobre punição, restrição extrema ou fórmulas milagrosas. É sobre consciência, estrutura e fortalecimento interno. É sobre retomar o comando do próprio corpo, alinhar biologia e comportamento e construir um equilíbrio que não seja temporário, mas sustentável”.