Escândalo na Esquadra do Rato: Megaoperação da PJ resulta em 16 novas detenções por tortura

Megaoperação na Esquadra do Rato resulta em 16 novas detenções por tortura. 15 agentes da PSP e um civil detidos em Lisboa.

Escândalo na Esquadra do Rato: Megaoperação da PJ resulta em 16 novas detenções por tortura

A investigação aos crimes de tortura e agressões violentas na Esquadra do Rato, em Lisboa, conheceu nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, um novo e decisivo capítulo. Numa operação de larga escala coordenada pela Unidade Nacional Contra-Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, foram detidas 16 pessoas – 15 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) e um civil. Em causa está a suspeita de um sistema enraizado de abusos físicos e humilhações, que terá vitimado dezenas de detidos ao longo dos últimos anos naquela unidade policial.

“A integridade das forças de segurança é o pilar do Estado de Direito. Estas detenções são a prova de que as instituições de fiscalização estão a funcionar” (Luís Neves, ministro da Administração Interna)

Operação ‘Tolerância Zero’ atinge o coração da PSP

A intervenção da PJ começou nas primeiras horas da manhã, com buscas simultâneas em residências e nas próprias instalações da esquadra. O Ministro da Administração Interna, em declarações aos jornalistas, confirmou a gravidade das diligências, sublinhando que as autoridades não podem pactuar com comportamentos que violem a dignidade humana. “A integridade das forças de segurança é o pilar do Estado de Direito. Estas detenções são a prova de que as instituições de fiscalização estão a funcionar”, afirmou o governante.

As novas detenções elevam para mais de duas dezenas o número total de arguidos neste processo, que já conta com sete agentes em prisão preventiva desde março. A investigação aponta para um cenário de violência sistemática, onde o uso excessivo da força era a regra e não a exceção.

“Quem assiste, quem grava e quem silencia estas práticas é igualmente cúmplice da degradação da autoridade policial” (Pedro Figueiredo, Inspetor-Geral)

Provas multimédia e o papel da IGAI

Um dos elementos centrais da acusação reside na partilha de conteúdos digitais. A investigação da Polícia Judiciária permitiu aceder a grupos de mensagens privadas onde os polícias agora detidos circulavam vídeos e fotografias das agressões. Nestes registos, eram visíveis práticas de tortura grave, incluindo “socos, chapadas e agressões com cassetetes”, frequentemente dirigidas a cidadãos estrangeiros ou pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) tem acompanhado o caso desde o início, tendo já instaurado processos disciplinares que podem culminar na expulsão destes agentes da força pública. Pedro Figueiredo, Inspetor-Geral, reiterou que a responsabilidade não se limita aos agressores diretos. “Quem assiste, quem grava e quem silencia estas práticas é igualmente cúmplice da degradação da autoridade policial.”

Rede de cumplicidade estendida ao setor privado

A detenção de um civil nesta operação – um segurança de um estabelecimento de diversão noturna em Lisboa – introduz um novo dado na investigação. As autoridades suspeitam que existia uma rede de colaboração entre certos agentes da Esquadra do Rato e seguranças privados, facilitando a entrega de indivíduos “problemáticos” nas mãos de agentes que garantiam um tratamento punitivo fora da lei.

Os 16 detidos serão presentes ao Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa para interrogatório judicial. Dada a reincidência dos comportamentos e o perigo de perturbação do inquérito, o Ministério Público deverá requerer medidas de coação gravosas, incluindo o afastamento imediato de funções e a prisão preventiva.

O futuro da esquadra e a confiança institucional

Este processo está a forçar uma reestruturação profunda no Comando Metropolitano de Lisboa. O Diretor Nacional da PSP já garantiu que a instituição está a colaborar plenamente com a justiça, reafirmando que estes episódios não definem os milhares de profissionais que honram a farda diariamente. No entanto, o impacto na confiança pública é evidente, exigindo transparência total no desfecho deste caso que chocou o país pela crueza dos relatos.

Luís Martins; WiN
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