Bebés que crescem com cães têm menos alergias e asma
Descubra por que a convivência entre bebés e cães fortalece o sistema imunitário e reduz o risco de asma e alergias, segundo estudos científicos recentes
A chegada de um recém-nascido a uma casa com animais de estimação levanta, frequentemente, dúvidas sobre a higiene e a segurança. No entanto, a ciência revela que a convivência entre bebés e cães pode ser o melhor treino para o organismo das crianças. Estudos publicados em revistas como a JAMA Pediatrics e a Microbiome confirmam que a exposição precoce a cães e a gatos reduz significativamente a incidência de asma e alergias.
O treino microbiano
O contacto com os animais introduz uma diversidade de bactérias no ambiente doméstico que não existiriam de outra forma. Este intercâmbio biológico força o sistema imunitário do bebé a distinguir entre ameaças reais e partículas inofensivas.
– Diversidade bacteriana: Bebés em casas com cães apresentam níveis mais elevados de duas bactérias (Ruminococcus e Oscillospira), associadas a um menor risco de obesidade e alergias.
– Redução da sensibilidade: A exposição aos alergénios dos animais antes de um ano de idade ajuda a criar uma tolerância natural.
– Saúde mental: Além da imunidade, a presença de um animal de estimação reduz os níveis de cortisol (hormona do stress) nos pais e na criança.
Prevenção de alergias e outros benefícios
A proteção conferida pelos animais parece ir além do sistema respiratório. Investigadores observaram que estas crianças sofrem menos infeções de ouvido e necessitam de menos ciclos de antibióticos durante o primeiro ano de vida. Este fenómeno ocorre porque o microbioma intestinal é fortalecido pela sujidade benigna que os cães trazem do exterior.
Estes benefícios são porém preventivos. Se a criança já manifestar uma alergia severa diagnosticada, a introdução de um animal deve ser avaliada por um pediatra ou imunoalergologista. A convivência deve ser sempre supervisionada para garantir a segurança física de ambos.
Como manter a casa saudável com animais e recém-nascidos
Embora a ciência defenda que a sujidade benigna dos cães ajuda a fortalecer as defesas do bebé, a higiene rigorosa não deve ser descurada. O equilíbrio é a chave para evitar infeções parasitárias ou bacterianas perigosas.
Cuidados práticos com o animal
Para que o animal de estimação seja um aliado e não um risco, o protocolo de saúde do cão ou gato deve estar impecável antes da chegada do novo membro da família:
– Desparasitação rigorosa: É vital manter as desparasitações interna e externa em dia para evitar a transmissão de zoonoses ao bebé.
– Higiene das patas: Após os passeios, as patas devem ser limpas com toalhetes próprios para animais, removendo o excesso de sujidade da rua.
– Escovagem frequente: Reduzir a queda de pêlo no ambiente ajuda a controlar a carga de alergénios e ácaros em suspensão.
– Corte de unhas: Unhas curtas e limpas evitam arranhões acidentais durante as primeiras interacções.
Gestão do espaço doméstico
A organização da casa deve mudar ligeiramente para proteger as zonas de maior vulnerabilidade do recém-nascido:
– Quarto do bebé: Recomenda-se que este seja um espaço de acesso restrito ou controlado, garantindo que o animal não dorme no berço.
– Zonas de alimentação: A taça da comida e a caixa de areia (no caso dos gatos) devem estar totalmente fora do alcance do bebé, especialmente quando este começar a gatinhar.
– Lavagem de mãos: Os cuidadores devem lavar as mãos após brincar com o cão e antes de pegar no bebé ou preparar o biberão.
O papel da saliva
Embora existam mitos sobre a saliva curativa, o contacto direto da língua do animal com rosto, mãos ou boca do recém-nascido deve ser evitado. A boca dos animais contém bactérias que o sistema imunitário imaturo do bebé ainda não consegue processar eficazmente.
A harmonia entre cães e bebés é perfeitamente possível e desejável, desde que as regras de higiene sejam seguidas com disciplina.