Europa tem apenas seis semanas de combustível para aviões
AIE alerta: o combustível para aviões na Europa pode esgotar-se em seis semanas. Saiba como o bloqueio em Ormuz ameaça voos e a economia.
A sobrevivência operacional da aviação no continente europeu está sob ameaça direta, restando à Europa “talvez seis semanas” de combustível para aviões em stock. O alerta foi lançado nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, por Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE). Em entrevista à Associated Press, o responsável sublinhou que a interrupção das rotas de abastecimento no Médio Oriente coloca o setor num ponto de rutura iminente.
“Em breve ouviremos notícias de que alguns voos da cidade A para a cidade B poderão ser cancelados devido à falta de combustível de aviação” (Fatih Birol)
O bloqueio no Estreito de Ormuz e o impacto na aviação
A escassez atual é o resultado direto da paralisia no Estreito de Ormuz, uma artéria vital por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Com o conflito no Irão a bloquear a passagem de navios-tanque, as reservas europeias de querosene estão a ser consumidas a um ritmo superior à reposição. De acordo com Fatih Birol, a situação é “crítica” e as consequências serão visíveis a curto prazo.
- • Cancelamento iminente de voos comerciais entre grandes cidades europeias.
- • Aumento drástico nos custos operacionais das companhias aéreas.
- • Pressão inflacionária severa sobre o preço dos bilhetes de avião e logística de carga.
“Em breve ouviremos notícias de que alguns voos da cidade A para a cidade B poderão ser cancelados devido à falta de combustível de aviação”, afirmou Birol, destacando que nenhum país está imune, independentemente da sua riqueza económica.
Reservas estratégicas e o risco de recessão
Embora algumas companhias como a KLM e a easyJet tenham declarado, em comunicados recentes, que ainda não enfrentam escassez imediata, a AIE adverte que o otimismo é perigoso. O Airports Council International (ACI) já enviou uma missiva à União Europeia alertando que, se o fluxo em Ormuz não for normalizado em três semanas, a escassez sistémica será inevitável.
Crise de dimensões históricas
- • Mais de 110 navios-tanque carregados de petróleo e 15 de gás natural liquefeito (GNL) aguardam no Golfo Pérsico, incapazes de sair.
- • A recuperação das infraestruturas energéticas danificadas pelo conflito poderá demorar até dois anos, mesmo que a paz seja alcançada hoje.
- • O sistema de “portagens” imposto para a passagem de embarcações agrava os custos e cria precedentes perigosos para outras rotas marítimas globais.
Consequências para o consumidor e economia global
A crise não se limita aos céus. A escassez de crude reflete-se no aumento dos preços da gasolina, do gás e da eletricidade. Birol é direto na sua análise. “Estamos perante a maior crise energética que alguma vez enfrentámos”, frisou. O impacto será sentido com maior violência nas economias emergentes da Ásia e África, mas a Europa enfrenta agora o risco real de estagflação – crescimento lento acompanhado de alta inflação.
A manutenção do bloqueio até ao final de maio poderá empurrar várias nações europeias para a recessão, uma vez que o setor do turismo, pilar de economias como a portuguesa, depende inteiramente da estabilidade no fornecimento de combustível para aviões.