O que é o hantavírus, como se transmite e por que não deve entrar em pânico
Três mortos no MV Hondius puseram o hantavírus nas bocas do mundo. O que é, como se transmite e qual o risco real para quem não esteve no cruzeiro?
O hantavírus continua a dominar as notícias depois do surto registado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que nesta segunda-feira conclui a operação de repatriamento dos seus passageiros em Tenerife.
A OMS confirmou seis casos ligados ao navio e três mortes, mas o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi peremptório. “Não se trata de outra Covid-19. As pessoas não devem ter medo nem entrar em pânico.”
Origem e características
Hantavírus é o nome de um grupo de vírus transportados por roedores que podem causar doença grave em humanos. Segundo a ficha técnica oficial da OMS, existem mais de 50 tipos diferentes, com surtos documentados sobretudo na América do Sul, na Ásia e Europa de Leste.
A estirpe envolvida no surto do MV Hondius é o vírus Andes, variante particularmente grave típica da Patagónia argentina e do Chile – e a única conhecida capaz de se transmitir entre humanos.
Transmissão: como se contrai
Na esmagadora maioria dos casos, o hantavírus transmite-se por contacto direto ou indireto com roedores infetados – através de fezes, urina ou saliva, ou por inalação de partículas contaminadas no ar.
A transmissão entre humanos, embora possível com a estirpe Andes, exige contacto muito próximo e prolongado – como acontece entre pessoas que partilham o mesmo espaço fechado durante longos períodos, como num navio.
Não se transmite por via alimentar nem por picadas de insectos. Para quem não esteve no MV Hondius nem teve contacto com os seus passageiros ou tripulantes, o risco é praticamente nulo. O próprio CDC norte-americano classificou o risco para a população geral como “extremamente baixo”.
Sintomas a que estar atento
Os primeiros sintomas surgem entre uma a oito semanas após a exposição e assemelham-se a uma gripe comum: febre alta, dores musculares, cansaço, dores de cabeça e sintomas gastrointestinais.
Numa fase mais avançada, a doença pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus – complicação grave que afeta os pulmões e pode ser fatal, com taxa de mortalidade que pode atingir os 50% nos casos mais graves, segundo a OMS.
Não existe vacina nem tratamento antivírico específico. O tratamento é de suporte, com internamento em unidade de cuidados intensivos nos casos mais graves.
Quarentena recomendada pela OMS
Para todos os que estiveram a bordo do MV Hondius, a OMS recomendou 42 dias de quarentena com monitorização ativa diária. Este prazo justifica-se pelo período de incubação do vírus Andes, que pode chegar às seis semanas.
Já foram confirmados casos positivos fora do navio – um passageiro francês desenvolveu sintomas durante o voo de regresso a Paris e um norte-americano testou positivo após o repatriamento para o Nebraska.
Deve preocupar-se?
Para a população em geral, a resposta é não. O hantavírus não se propaga facilmente e não tem capacidade de gerar uma pandemia como a Covid-19. A melhor prevenção passa por evitar o contacto com roedores e seus vestígios – especialmente em zonas rurais, celeiros ou espaços abandonados –, lavar as mãos com frequência e ventilar bem os espaços fechados antes de os limpar.
Em caso de dúvida, a Direção-Geral da Saúde disponibiliza informação atualizada sobre doenças infecciosas e alertas de saúde pública.