Nobel da Economia defende políticas públicas perante impacto da IA no mercado de trabalho

O Prémio Nobel da Economia de 2025 defendeu hoje que a Inteligência Artificial (IA) deverá eliminar empregos numa fase inicial, mas acabará por criar ocupações e impulsionar o crescimento económico, desde que os governos adotem políticas adequadas de transição.

Nobel da Economia defende políticas públicas perante impacto da IA no mercado de trabalho

Numa conferência na cidade espanhola de Barcelona, Philippe Aghion definiu-se como um “otimista cauteloso” face à revolução que a IA generativa e os seus agentes podem desencadear na economia mundial e nos sistemas produtivos.

Ao contrário de alguns dos colegas, que antecipam que a IA terá um impacto negativo no emprego sem se traduzir num maior crescimento económico, Aghion sustentou que, com políticas públicas adequadas, esta tecnologia pode impulsionar simultaneamente a produtividade, o crescimento e a criação de novos postos de trabalho.

“O problema é que a destruição de postos de trabalho pode ocorrer antes de se começar a criá-los”, afirmou o economista e académico.

Aghion defendeu que, por enquanto, os dados empíricos não revelam um impacto negativo generalizado da IA no mercado de trabalho, embora admita que alguns empregos, especialmente os ligados a tarefas administrativas, estejam mais expostos à automatização.

O académico estimou que a utilização da IA possa impulsionar a produtividade em cerca de um ponto percentual por ano durante dez anos, para depois estabilizar.

Na sua opinião, a IA é uma ferramenta com um enorme potencial, mas alertou que o seu impacto dependerá da forma como for gerida.

Aghion sublinhou que o principal requisito para que a IA tenha um impacto positivo na sociedade é dispor de sistemas educativos capazes de preparar os trabalhadores para se adaptarem às mudanças do mercado de trabalho e acederem a novas oportunidades profissionais.

“Precisamos de crianças que saibam ler livros, escrever sem cometer erros e fazer cálculos mentais sem terem de recorrer à IA”, salientou.

Além do emprego, Aghion alertou que a Europa ficou para trás em relação aos Estados Unidos e à China em matéria de inovação tecnológica e apelou a uma combinação de políticas industriais e de concorrência que favoreçam o investimento e o surgimento de novas empresas.

Defendeu uma regulamentação “inteligente” que promova a concorrência e impeça as grandes empresas de utilizarem a sua posição dominante para bloquear a entrada de novos concorrentes mais inovadores.

Além disso, o economista apelou para que se evite que a revolução da IA reproduza a concentração de mercado que se seguiu ao ‘boom’ da Internet e das tecnologias da informação, quando um pequeno número de empresas alcançou posições dominantes difíceis de contestar.

Aghion defendeu um maior financiamento para as empresas inovadoras europeias, face à escassez de fundos de capital de risco capazes de apoiar o desenvolvimento de tecnologias no continente.

Em particular, defendeu a criação de incentivos fiscais para que os fundos de pensões e outros grandes investidores destinem uma parte maior das poupanças europeias ao financiamento de empresas locais, em vez de canalizarem esses recursos para a economia norte-americana.

PYR // CSJ

By Impala News / Lusa

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