MP moçambicano investiga agências de viagens suspeitas de branquear capitais

O Ministério Público moçambicano instaurou processos para investigar agências de viagens suspeitas de branqueamento de capitais, exportação ilícita de capitais e fraude fiscal, admitindo recorrer à cooperação internacional para esclarecer operações que movimentaram 805,5 milhões de euros.

MP moçambicano investiga agências de viagens suspeitas de branquear capitais

“Sobre elas, nós já instauramos os devidos processos e estamos a fazer as investigações necessárias com vista ao apuramento da verdade material”, disse a procuradora-geral adjunta, Amélia Machava Munguambe, à margem de uma formação regional sobre prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo para magistrados judiciais e do Ministério Público (MP), em Maputo.

Sem avançar quanto tempo a investigação poderá demorar, a responsável recorreu à legislação moçambicana para explicar que o processo poderá ser moroso, admitindo solicitar a prorrogação dos prazos legalmente previstos caso se confirme a complexidade do caso.

“Vamos analisar o que vamos encontrando, as perícias que são necessárias fazermos para podermos chegar a alguma conclusão e podermos avançar com os processos. Então seria muito difícil estipular um prazo específico”, afirmou.

Amélia Munguambe admitiu recorrer à cooperação internacional para o esclarecimento do alegado esquema de utilização de agências de viagens para branqueamento de capitais, exportação ilícita de capitais e fraude fiscal.

“O dinheiro saiu do país, portanto, a nossa investigação tem que ir até para onde o dinheiro foi, o que vai implicar, em algum momento, a cooperação internacional. Então, daí que não é possível fazermos uma estimativa exata do prazo, mas vamos nos cingir ao que está na lei, que temos prazos processuais”, acrescentou, assegurando estarem em curso ações de combate ao branqueamento de capitais no país.

A procuradora-geral adjunta considerou positiva e necessária a relação entre o MP e o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) no combate e prevenção do branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e proliferação de armas de destruição em massa.

Em 06 de julho, a Lusa avançou que o GIFiM identificou fortes indícios da utilização de agências de viagens para branqueamento de capitais, exportação ilícita de capitais e fraude fiscal, após detetar a movimentação de 805,5 milhões de euros ao longo de três anos.

Num Relatório de Análise Estratégica, a que a Lusa teve acesso, o GIFiM escreve que empresas do setor de agenciamento de viagens e turismo receberam e movimentaram elevadas quantias, sobretudo em numerário, posteriormente transferidas para contas bancárias em Moçambique tituladas por uma “organização internacional”, a partir das quais os fundos eram encaminhados para o estrangeiro.

A análise ao período entre janeiro de 2022 e setembro de 2025 aponta que estas empresas transacionaram “avultadas somas monetárias, de forma fracionada, através de depósitos em numerário e transferências bancárias”, atingindo o montante de pelo menos 24 milhões de meticais diários (331,8 mil euros) em depósitos em numerário, antes da transferência desses valores para as contas da mesma “organização internacional”, não identificada.

VIYS (PVJ) //

By Impala News / Lusa

Adicione a Impala como fonte preferida google share