Moçambique duplicou produção de grafite para baterias de veículos elétricos em 2025

A produção de grafite em Moçambique, destinada a baterias de carros elétricos, praticamente duplicou em 2025, crescendo para 67 mil toneladas, segundo dados do Governo.

Moçambique duplicou produção de grafite para baterias de veículos elétricos em 2025

De acordo com um relatório da realização orçamental de 2025, trata-se de um aumento de 92% face às 34,9 toneladas de grafite produzidas em Moçambique no ano anterior e 160% de execução da meta definida, que era de quase 41,8 toneladas.

O documento acrescenta que este desempenho surge “não obstante a paralisação das atividades” da GK Ancuabe Graphite Mine, em 2023, bem como o facto da empresa Twigg Mining and Exploration, alegadamente por “força maior”, ter suspendido a atividade, devido ao “bloqueio da mina de Balama em dezembro de 2024”, face aos protestos pós-eleitorais, situação que se prolongou por mais de seis meses.

Em 2022, a produção de grafite em Moçambique ascendeu a um recorde de 165,9 mil toneladas, mas no ano seguinte caiu para 97,3 mil toneladas e em 2024 recuou 64%, para 34,9 mil toneladas, devido à paralisação de produtoras.

Só a mina moçambicana de Balama – que fornece os mercados de baterias de viaturas elétricas norte-americano e indonésio – produziu 26 mil toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, após seis meses de paragem provocada pela agitação social.

De acordo com informação sobre o desempenho do terceiro trimestre de 2025 enviada anteriormente aos mercados pela mineradora australiana Syrah, que a opera, a mina em Cabo Delgado, norte de Moçambique, registou no mesmo período um total de 24 mil toneladas de grafite, vendido e enviado para clientes a um preço médio por tonelada de 625 dólares (536 euros).

A mina de Balama retomou a exportação de grafite natural, destinado a baterias de carros elétricos, após seis meses de paragem provocada pela agitação social, anunciou em 24 de julho último a Syrah, que retirou a cláusula de ‘força maior’.

O argumento de ‘força maior’ diz respeito a um conceito jurídico que se refere a eventos externos, imprevisíveis e inevitáveis, que impedem o cumprimento de obrigações contratuais.

Entretanto, o Presidente moçambicano disse em 30 de janeiro último que a nova fábrica de processamento de grafite – que Daniel Chapo inaugurou nesse dia na província de Niassa – é uma oportunidade para Moçambique se consolidar no mercado global como fornecedor de minérios transformados, onde há alta procura de “grafite de alta pureza”, rompendo com o “modelo histórico de simples exportação de matéria-prima bruta”.

Erguida no distrito de Nipepe, a cerca de 400 quilómetros da cidade de Lichinga, capital da província de Niassa, no norte de Moçambique, a fábrica de capital chinês ocupa uma área de 2.469 hectares, foi avaliada em cerca de 200 milhões de dólares (165,7 milhões de euros), e tem uma capacidade de produção e processamento anual de 200 mil toneladas de grafite.

Esta infraestrutura emprega já 1.090 trabalhadores, devendo chegar a mais de 2.000 quando alcançar a sua capacidade máxima de produção, conforme informação da empresa.

 

PVJ // APL

By Impala News / Lusa

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