Venezuela/Sismo: Voluntários pedem mais doações de medicamentos e mais maquinaria dos países que apoiam
No bairro de San Bernardino, em Caracas, os voluntários de um dos mais de 300 locais a receber roupa e comida pediram mais doações estrangeiras de medicamentos e maquinaria para acelerar as operações de resgate.
Na avenida Los Póceres, socorristas vindos do Qatar e centenas de vizinhos continuam a martelar, a encher baldes com partes de um edifício que caiu em 24 de junho com um número incerto de pessoas lá dentro.
“Uma das amigas da minha filha vive nesse prédio e estava lá quando ruiu, ainda não sabemos dela”, contou à Lusa Lizmari, de 48 anos.
A esperança é a última a morrer na opinião desta venezuelana que venceu “o medo” provocado pelos dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 e veio para a rua ajudar como podia.
E encontrou maneira de apoiar compatriotas que perderam as casas num centro de recolha de alimentos e roupa, a pouco metros de onde os socorristas tentam abrir caminho entre o betão e o ferro, para tentar resgatar as pessoas que estão presas.
“Se não estão vivas, pelo menos que as encontrem para que as famílias possam começar a fazer o luto e tenham um corpo para chorar”, comentou.
Neste centro “já há comida e roupa suficiente para apoiar muitas famílias, mas faltam medicamentos, muitos”.
Por isso, Lizmari pediu a quem queira fazer doações estrangeiras para darem prioridade aos medicamentos.
Sobre o trabalho dos socorristas, a voluntária disse que “está orgulhosa do mundo pelo apoio que está a dar à Venezuela”.
“Tenho muito orgulho em ser venezuelana e também estou feliz com a nossa solidariedade, cada vizinho saiu de casa para ajudar, estamos todos na rua, isto é o que importa agora”, sustentou.
De fora só pede mais maquinaria para ajudar cá dentro: “Não é suficiente a que temos, venham todas as mãos, mas peço que venham também as máquinas necessárias para acelerar as operações.”
A conversa não continua, Lizmari tem de voltar ao trabalho, mas pediu a Portugal, a quem agradeceu a ajuda desde o princípio, que apoie este país com os medicamentos.
“São o que nos vai salvar depois, há muitas pessoas a dormir na rua, inclusive as que ficaram com algumas paredes, têm medo de dormir em casa porque o resto da casa pode cair”, afirmou.
*** André Campos Ferrão, jornalista em serviço para a Lusa ***
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By Impala News / Lusa