Ventura avisa Montenegro que manter Luís Neves significa “cumplicidade criminosa” do Governo

O presidente do Chega escreveu hoje ao primeiro-ministro para adverti-lo que a manutenção de Luís Neves como ministro da Administração Interna arrasta o Governo para a “cumplicidade criminosa” e alterará as relações com o executivo PSD/CDS.

Ventura avisa Montenegro que manter Luís Neves significa

“A permanência em funções do senhor ministro da Administração Interna afeta muito negativamente a imagem do Governo e arrastá-lo-á irremediavelmente para a cumplicidade criminosa, pressão sobre as instituições de investigação criminal e perda de autoridade institucional”, adverte André Ventura na carta que dirigiu a Luís Montenegro.

Uma carta que o presidente do Chega diz ter escrito “sem qualquer intuito pessoal ou de natureza político-partidária, mas como presidente do maior partido da oposição”. E na qual lembra também o exemplo do falecido antigo ministro da Administração Interna social-democrata Miguel Macedo, que se demitiu do cargo por suspeitas, mas, depois, foi absolvido pela justiça.

André Ventura começa por assinalar que o Chega é a maior força política da oposição e que, nos últimos meses, o PSD e o seu partido “chegaram a entendimentos em matérias fundamentais como a descida do IRC, o IRS Jovem, a lei da nacionalidade, a lei de estrangeiros, o regime de heranças ou a denominada lei das burcas”.

“Sempre salvaguardámos a relação de confiança e a proteção das instituições democráticas, mesmo quando discordámos fortemente no espaço público”, sustenta.

A seguir, o presidente do Chega frisa, no entanto, que a situação atual do ministro da Administração Interna “provoca necessariamente uma alteração dessa equação”.

“As notícias que têm vindo a público comprometem gravemente a confiança dos portugueses nas instituições e denotam uma cultura de gangsterismo que não é compatível com o exercício do poder democrático. Dão a entender, espero que erradamente, que um grupo de crime organizado capturou o Estado português, nomeadamente as suas instituições mais sagradas e que deveriam ser mais independentes”, defende.

Segundo André Ventura, “as ameaças sobre órgãos democráticos ou de imprensa, o desrespeito pela lei e a atitude de impunidade e sobranceria, o desvio de bens públicos para a esfera privada e a eventual cumplicidade com o crime organizado na sua forma mais letal e perversa (as organizações de tráfico de droga) traçam um limite que, nem o primeiro-ministro, nem o líder da oposição podem tolerar”.

“O poder político democrático jamais pode estar capturado ou silenciado perante fenómenos criminosos, por muito poderosos que sejam e por muitas cumplicidades que tenham no edifício do Estado. A nossa responsabilidade é não ter medo e fazer as mudanças que tiverem de ser feitas para salvaguardar a transparência e a integridade do Estado”, sustenta.

Depois, André Ventura deixa um conjunto de perguntas a Luís Montenegro.

“Como pode o ministro que tutela as polícias incumprir escandalosamente a lei, em pequenas ou grandes coisas, e arrogar-se disso impunemente? Como pode o ministro que tutelou a PJ, uma instituição de incontornável prestígio, estar sob suspeita de condicionar essa polícia para proveito próprio e arrastar a sua imagem institucional para o lodo? Como pode ser garantido o regular funcionamento das instituições se há suspeitas de ligação entre o ministro das polícias e as investigações ao crime organizado mais violento e destruidor?”, questiona.

 A que acrescenta: “Com que autoridade terá um Ministro da Administração Interna a coordenar o combate aos incêndios sem qualquer autoridade política?”.

Neste contexto, refere-se ao exemplo de Miguel Macedo, que se demitiu por se ver envolvido numa suspeita criminal durante o Governo de Pedro Passos Coelho.

“Até foi, mais tarde, absolvido, mas percebeu que a administração interna não pode estar sem autoridade ou integridade. Percebeu que as instituições estão sempre acima da sua vontade e do seu desejo pessoal”, escreve o presidente do Chega.

André Ventura faz ainda uma referência à sua recente reunião com Presidente da República, António José Seguro, dizendo que ficou “ainda mais convencido do que é preciso fazer neste momento”.

“Se nada for feito, tal pode significar, muito sinceramente, que as instituições em Portugal estão já completamente capturadas por correntes obscuras e subterrâneas de poder e de criminalidade. E nada, nada mesmo, poderá ser tão grave, e ter tanto impacto no futuro, como isto”, acrescenta.

 

PMF // MLL

By Impala News / Lusa

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