Regresso do nacionalismo domina legislativas antecipadas de hoje na Bulgária
Os eleitores búlgaros regressam hoje às urnas para legislativas antecipadas, as terceiras em quatro anos, com as sondagens a indicaram competição cerrada entre conservadores e sociais-democratas num clima de ressurgimento do nacionalismo.
Sófia, 26 mar (Lusa) — Os eleitores búlgaros regressam hoje às urnas para legislativas antecipadas, as terceiras em quatro anos, com as sondagens a indicaram competição cerrada entre conservadores e sociais-democratas num clima de ressurgimento do nacionalismo.
A hipótese de um governo de coligação entre o centro-direita do partido Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB) e os sociais-democratas do Partido Socialista Búlgaro (BSP), apesar de desmentido pelas duas formações durante a campanha, é um cenário admitido em Sófia, e quando todas as sondagens indicam que o próximo parlamento será muito instável.
Nenhuma sondagem prevê maioria absoluta para os dois principais partidos, mas todas as formações parecem partilhar o mesmo programa de grande dureza face aos migrantes, refugiados e população rom (cigana), incluindo o BSP (herdeiro do ex-Partido comunista) agora liderado pela advogada Kornelia Ninova.
O primeiro-ministro cessante, Boiko Borissov, o incontestado líder do GERB e que liderava um governo em aliança com a extrema-direita do Ataka de Volen Siderov, demitiu-se em novembro, dois anos antes do fim do seu mandato, após a derrota da sua candidata nas presidenciais.
O poder de compra, o combate à corrupção endémica, a emigração da população em busca de uma vida melhor e a ineficácia dos serviços públicos estão no centro das preocupações eleitorais, mesmo que tenham sido desvalorizados nos debates entre os candidatos.
Pelo contrário, a política externa impôs-se na campanha, com cada formação a assegurar a melhor posição em “defesa dos interesses da Bulgária”, num regresso em força do nacionalismo a este país do leste dos Balcãs.
País eslavo e ortodoxo com 7,1 milhões de habitantes e membro da União Europeia (UE) e da NATO, a Bulgária mantém fortes laços com a Rússia, que também poderão ser reforçados após os resultados eleitorais.
As tensões com a vizinha Turquia, a questão do equilíbrio do país face à UE e a Moscovo, a presença de milhares de migrantes imobilizados neste país situado na fronteira exterior da União, alimentaram os debates.
A minoria turca na Bulgária inclui cerca de 700.000 pessoas (entre 10% a 13% da população), uma herança da prolongada soberania otomana nos Balcãs. Perto de 200.000 turcófonos de origem búlgara e dupla nacionalidade vivem ainda na Turquia, e um terço participa regularmente nas eleições búlgaras.
A surpresa destas eleições poderá surgir de Vesseline Marechki, do movimento Volya (Vontade), que se autoproclama o “Donald Trump” da Bulgária e obteve 11,1% dos votos nas presidenciais de dezembro.
Proprietário de uma cadeia de farmácias com o seu nome, Marechki afirma liderar um “movimento do trabalho e das pessoas comuns” e não exclui qualquer coligação após as eleições, na condição de dirigir “todo um setor”, de preferência a economia, para promover “mudanças revolucionárias”.
O grande desafio destas eleições passa ainda pela formação de um executivo que contrarie o modelo de “governo oligárquico”, na sequência das grandes manifestações de 2013 contra a pobreza e a corrupção endémica.
Mas caso se confirmem as sondagens, o próximo governo búlgaro será nacionalista e populista, independentemente do primeiro-ministro. E a instabilidade crónica que deverá manter-se poderá implicar novas eleições antecipadas.
PCR // EL
By Impala News / Lusa