Regime de Damasco exige em Genebra condenação do terrorismo

O representante do regime de Damasco nas negociações de paz na Síria exigiu em Genebra que a ONU e a oposição condenem o terrorismo, após os ataques suicidas perpetrados contra os serviços de informação sírios em Homs.

Regime de Damasco exige em Genebra condenação do terrorismo

Genebra, 25 fev (Lusa) — O representante do regime de Damasco nas negociações de paz na Síria exigiu hoje em Genebra que a ONU e a oposição condenem o terrorismo, após os ataques suicidas perpetrados contra os serviços de informação sírios em Homs.


“Pedimos a Staffan de Mistura [enviado especial da ONU para a Síria] para fazer uma declaração a condenar os ataques em Homs. Exigimos a mesma declaração por parte de todos os participantes no processo de Genebra (oposição)”, disse o chefe da delegação do regime de Damasco, Bashar al-Jaafari.


Os ataques suicidas perpetrados hoje em Homs (oeste da Síria) tiveram como alvo duas bases dos serviços de informação militares sírios e mataram pelo menos 42 pessoas, segundo dados do Observatório sírio dos Direitos Humanos.


Entre as vítimas mortais está o chefe dos serviços de inteligência militar, o general Hassan Daabul, um elemento próximo do Presidente sírio, Bashar al-Assad.


Os ataques foram reivindicados por um ex-núcleo da Al-Qaida na Síria, a organização Jabhat Fateh al-Sham (anteriormente designada como Frente Al-Nosra).


“Qualquer parte que recuse condenar os ataques de hoje, vamos considerar essa parte como um cúmplice do terrorismo”, afirmou o representante das autoridades de Damasco, depois de um encontro com Staffan de Mistura.


Bashar al-Jaafari acrescentou que também espera hoje uma tomada de posição por parte da oposição síria.


“Hoje, esperamos que a oposição condene o terrorismo”, salientou o chefe da delegação de Damasco, acrescentando que aquilo que aconteceu em Homs, a terceira maior cidade da Síria, representou “uma sombra” em Genebra.


“Não foi só um ataque terrorista militar, mas também um ataque político”, frisou.


“O que aconteceu hoje não passará despercebido e vamos reagir (…). O sangue dos sírios é precioso e aqueles que matam sírios também serão punidos”, concluiu.


Poucas horas antes destas declarações de Bashar al-Jaafari, o enviado especial da ONU afirmou que os ataques de hoje pretendiam perturbar as negociações de paz.


“Sempre que temos negociações, há sempre alguém a tentar inviabilizar o processo. Estávamos à espera disto”, disse Staffan de Mistura, quando questionado pelos jornalistas sobre os ataques.


À pergunta se estes ataques iriam afetar as negociações patrocinadas pela ONU, o veterano diplomata italo-sueco disse: “Espero que não, mas foi trágico”.


As negociações de paz na Síria começaram na quinta-feira, em Genebra, sob a égide das Nações Unidas, e com a presença de delegações do regime de Damasco e da oposição síria.



SCA // MLS

By Impala News / Lusa