Oposição cabo-verdiana pede ao PM que responsabilize ministro por declarações sobre comunicação social

A líder do maior partido da oposição cabo-verdiana, Janira Hopffer Almada, pediu ao primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que responsabilize o ministro da tutela, Abraão Vicente, por declarações sobre o serviço público de comunicação social.

Oposição cabo-verdiana pede ao PM que responsabilize ministro por declarações sobre comunicação social

Praia, 03 mar (Lusa) – A líder do maior partido da oposição cabo-verdiana, Janira Hopffer Almada, pediu hoje ao primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que responsabilize o ministro da tutela, Abraão Vicente, por declarações sobre o serviço público de comunicação social.


A Associação de Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) acusou na quinta-feira a tutela de tentar instrumentalizar o setor público de comunicação social, adiantando que vai denunciar a situação junto das organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa.


Em causa estão as posições públicas do ministro da Cultura e Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que tutela a comunicação social, que na sua página na rede social Facebook se referiu à Empresa Pública de Comunicação Social RTC como sendo parte integrante do próprio Ministério.


A primeira publicação do ministro suscitou reações críticas de vários jornalistas, que por sua vez motivaram uma segunda publicação do ministro, na qual justificou a sua intervenção com “o novo modelo de negócio”.


Abraão Vicente considerou “normais as resistências à mudança” dos “conservadores” e aludiu a uma “nova geração de jornalistas que brevemente entrará no mercado” e que saberá “compreender e acompanhar melhor os novos tempos da empresa”.


A AJOC entendeu esta afirmação como “uma advertência velada, mas bem percetível” e uma ameaça de despedimento “aos jornalistas que não concordam com tentativas de manipulação”, repudiando o que considera mais uma tentativa “de instrumentalização do setor público da comunicação social cabo-verdiana”.


Questionada hoje pelos jornalistas após um encontro com o embaixador da União Europeia em Cabo Verde, Janira Hopffer Almada disse que a atuação do ministro “feriu com um dos princípios fundamentais do Estado de direito democrático, que é liberdade de imprensa e o respeito pelos atores da comunicação social”.


Por isso, entende que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, deve responsabilizar o governante, considerando ser “inadmissível gerir as pastas nas redes sociais”.


“O primeiro-ministro tem de se pronunciar. Não pode continuar mudo e calado sobre uma questão de tamanha importância para o país, porque a proposta de formação do Governo é dele, a responsabilidade última pela atuação dos seus ministros também é dele”, salientou.


Janira Almada disse que o PAICV solidariza-se com os jornalistas cabo-verdianos e junta a sua voz à AJOC, a quem vai pedir um encontro na próxima semana “para se inteirar com mais pormenores da situação absolutamente inadmissível que se gerou”.


“A atuação do ministro Abraão Vicente tem notado uma grande irresponsabilidade, para não dizer uma grande imaturidade”, prosseguiu a líder partidária, dizendo ser “fundamental” a independência dos órgãos e sua separação dos poderes políticos.


“Nem sequer pensamos que o país possa, depois de 41 anos de independência e tantos de multipartidarismo, fazer esse retrocesso”, enfatizou, sublinhando que isso teria “impactos muito grande” no nível da democracia e no Estado de direito democrático cabo-verdiano.


“Eu não quero sequer imaginar que o ministro esteja a ponderar essa situação. Eu quero crer que mais por irresponsabilidade e por imaturidade que ele tenha feito essas afirmações”, terminou Janira Almada, que também é líder parlamentar do PAICV.


Além das lideranças dos grupos parlamentares, a AJOC pretende ainda solicitar audiências com o Presidente da República, o Provedor de Justiça, a Procuradoria-Geral da República e o presidente da Assembleia Nacional para expor as suas preocupações.



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By Impala News / Lusa