Líder rebelde foge de prisão na República Democrática do Congo

O líder de um movimento rebelde, que instigou um levantamento contra o Presidente da República Democrática do Congo Joseph Kabila, fugiu da prisão central de Makala, em Kinshasa, durante um ataque ao estabelecimento prisional.

Líder rebelde foge de prisão na República Democrática do Congo

Kinshasa, 17 mai (Lusa) — O líder de um movimento rebelde, que instigou um levantamento contra o Presidente da República Democrática do Congo (RDCongo) Joseph Kabila, fugiu hoje da prisão central de Makala, em Kinshasa, durante um ataque ao estabelecimento prisional.


A data escolhida para a fuga é simbólica, pois hoje é feriado no país e marca o vigésimo aniversário da queda do ditador Mobutu Sese Seko e a chegada ao poder do líder rebelde Laurent Kabila, pai de Joseph Kabila.


“Os apoiantes do movimento Bundu Dia Kongo atacaram (…) a prisão de Makala, conseguindo a fuga de cinquenta prisioneiros, incluindo o seu líder, Ne Muanda Nsemi. A polícia perseguiu os atacantes”, disse à agência de notícias AFP o porta-voz do Governo congolês, Lambert Mende.


Mais tarde, um responsável da cidade-província de Kinshasa declarou à AFP, sob condição de anonimato, que três prisioneiros condenados por ligações ao assassinato do pai de Kabila em 2001, entre os quais o seu secretário pessoal, estão entre os fugitivos.


“O pavilhão das mulheres está vazio. Todas as presas escaparam”, acrescentou o responsável, sem especificar o número de mulheres detidas em Makala.


Ne Muanda Nsemi é o líder do Bundu Dia Kongo (BDK, “Reino do Congo” em kikongo), do movimento político-religioso que defende a separação do Congo Central (província no oeste da RDC), e acusado de uma série de ataques contra funcionários do estado em janeiro e fevereiro de 2016.


Nsemi foi preso no início de março, após duas semanas de cerco à sua residência em Kinshasa.


O líder da BDK já havia apelado à uma revolta contra Kabila depois de uma tentativa fracassada de reconciliação com o chefe de Estado no final de 2016.


Kabila sucedeu ao seu pai em janeiro de 2001, tendo sido eleito Presidente em 2006 e reeleito em 2011, numa votação marcada por alegadas fraudes.


O mandato de Kabila terminou em dezembro e a constituição do país proíbe que o Presidente concorra novamente ao cargo, mas o chefe de Estado continua à frente do país depois de uma decisão controversa do Tribunal Constitucional.



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By Impala News / Lusa