Guiné-Bissau: Opositor Fernando Dias denuncia “perseguição” contra Domingos Simões Pereira

O opositor guineense Fernando Dias da Costa denunciou hoje o que classificou como uma “perseguição política” sistemática contra Domingos Simões Pereira, visando a sua detenção forçada por suspeitas de envolvimento numa alegada tentativa de golpe de Estado.

Guiné-Bissau: Opositor Fernando Dias denuncia

Em declarações proferidas na qualidade de vencedor das últimas eleições presidenciais, processo interrompido pela intervenção do Alto Comando Militar, protagonista de um golpe de Estado, Fernando da Costa manifestou profunda preocupação com a atual situação jurídica e física de Simões Pereira.

Num vídeo gravado na sua residência em Bissau, e publicado nas redes sociais, Fernando Dias da Costa dirigiu um apelo direto às autoridades judiciais, ao tribunal militar, ao Comando Militar e ao atual Governo de transição, instando-os a respeitarem a legalidade e os direitos fundamentais.

“Estamos a acompanhar com muita atenção o que estão a fazer neste país. Parem com isso”, declarou, alertando que as ações atuais terão consequências futuras e que o exercício do poder é temporário.

“O que estão a fazer hoje, daqui a vinte anos não terão capacidade de o fazer e nem estarão nos lugares que hoje ocupam”, acrescentou.

Segundo o opositor, a pressão exercida sobre Domingos Simões Pereira, presidente do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) é uma represália direta pelo apoio que este prestou à sua candidatura nas presidenciais de novembro último.

Da Costa sublinhou que Simões Pereira já cumpriu 65 dias de detenção na Segunda Esquadra de Bissau, aquando do golpe em novembro, e encontra-se, atualmente, em regime de prisão domiciliária, sob forte vigilância policial e isolamento.

O líder político questionou a necessidade de uma nova detenção, argumentando que ainda se encontra em fase de investigação o processo em que Simões Pereira é suspeito de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado em outubro de 2025.

“Respeitem os procedimentos. Não existe ainda nenhuma sentença condenatória. Respeitem os direitos fundamentais da pessoa que estão a maltratar”, exigiu, sublinhando que, estando em prisão domiciliária, não se verificam os pressupostos de perigo de fuga ou perturbação das investigações.

Fernando da Costa acusou o Alto Comando Militar de estar a ser instrumentalizado contra a oposição política. Na sua análise, a instabilidade política que atravessa o país transcende o Governo deposto.

“Os militares do Alto Comando Militar não estão a ver que estão a ser usados contra nós, políticos da oposição. O golpe que dizem que fizeram não foi contra Umaro Sissoco Embaló, foi contra mim, Fernando Dias da Costa”, concluiu.

O presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, foi convocado para comparecer hoje novamente no Tribunal Militar para ser notificado sobre a decisão do juiz de instrução sobre o requerimento do Ministério Público a pedir a revogação da medida de coação para a mais gravosa, a prisão preventiva.

A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado em vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais que tinham decorrido sem incidentes.

Com a tomada do poder pelo Alto Comando Militar, foi nomeado o general Horta Inta-a Presidente de transição.

O general anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.

Um novo Governo de transição foi, entretanto, empossado, com nomes do executivo deposto e cinco militares entre os 23 ministros e cinco secretários de Estado.

No golpe, o líder do PAIGC, Simões Pereira, foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

 

*** A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância ***

HFI // VM

By Impala News / Lusa

Adicione a Impala como fonte preferida google share