UNICEF regista em 3 meses mais casos de cólera na Somália do que em todo 2016

A UNICEF alertou hoje que identificou 18.400 casos de cólera e de doenças diarreicas agudas na Somália nos três primeiros meses de 2017, um número acima dos 15.600 registados em todo o ano passado.

UNICEF regista em 3 meses mais casos de cólera na Somália do que em todo 2016

Genebra, 31 mar (Lusa) — A UNICEF alertou hoje que identificou 18.400 casos de cólera e de doenças diarreicas agudas na Somália nos três primeiros meses de 2017, um número acima dos 15.600 registados em todo o ano passado.


A maioria dos afetados por estas doenças são crianças muito pequenas, de acordo com o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Christophe Boulierac.


O porta-voz informou ainda que o seu organismo distribuiu comida terapêutica a 35.400 menores com desnutrição aguda nos meses de janeiro e fevereiro.


Estes números da agência da ONU representam um aumento de 58% da taxa de desnutrição aguda infantil, em comparação com os primeiros meses de 2016.


As crianças que sofrem de desnutrição aguda são nove vezes mais propensas a ter doenças e infeções, por isso “a combinação entre o aumento de casos de cólera e de desnutrição aguda é extremamente perigosa”, referiu Boulierac.


A Somália sofre a pior seca registada nos últimos anos, situação que faz os seus habitantes beberem água imprópria para o consumo e, por consequência, a expansão do surto de cólera e de doenças diarreicas agudas.


Além disso, metade da população somali — mais de 6 milhões de pessoas — também enfrenta uma insegurança alimentar severa como consequência da seca.


As zonas mais castigadas pela escassez de água estão a ser controladas pelo grupo radical islâmico Al Shabab, contra o qual os Estados Unidos irão aumentar os ataques aéreos.


Diante desta decisão dos norte-americanos, o porta-voz da UNICEF advertiu que “quando a violência se intensifica, o trabalho dos funcionários humanitários também se complica” e que uma escalada no conflito “pode ameaçar ainda mais as crianças somalis”.


A UNICEF recordou que mais de 130.000 crianças morreram durante a fome que atingiu a Somália em 2011, metade delas sucumbiram antes que a comunidade internacional declarasse estado de emergência.


A maioria das mortes infantis foi causada por diarreia e sarampo.


Atualmente, o organismo da ONU não dispõe de dados relativos ao número de menores que morreram de fome.


Antes deste quadro se instalar na Somália, a UNICEF pediu um aumento no financiamento das suas operações no país para 147 milhões de dólares (137,6 milhões de euros), dos quais recebeu apenas 46% do solicitado.



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By Impala News / Lusa