Incêndios em Portugal: mais de 1.200 operacionais no terreno e Vouzela é o foco mais preocupante
Os incêndios em Portugal mobilizavam esta manhã mais de 1.200 operacionais nos quatro fogos mais ativos do país. O de Vouzela, no distrito de Viseu, é o mais preocupante: ameaça habitações, cortou a linha ferroviária do Vouga e já provocou ferimentos em três bombeiros e um civil.
Os quatro maiores incêndios ativos em Portugal mobilizavam mais de 1.200 operacionais às 07h00, com o combate a ser reforçado com meios aéreos em todos eles. O contexto é de uma semana de calor extremo, com quase todo o território continental em perigo máximo ou muito elevado de incêndio e 12 distritos sob aviso vermelho.
O incêndio que mais preocupa as autoridades deflagrou em Vouzela, no distrito de Viseu, na quinta-feira, e alastrou ao distrito de Aveiro. Ameaça habitações, obrigou ao corte da linha ferroviária do Vouga entre Mourisca do Vouga e Águeda, destruiu um veículo dos bombeiros e alguns anexos agrícolas, provocou danos em habitações e foi responsável por ferimentos em três bombeiros e um civil, este último transportado ao hospital com queimaduras. Em alguns locais foram realizadas evacuações preventivas.
Os quatro incêndios mais ativos
Vouzela (Viseu): o foco de maior preocupação, com condições de combate difíceis, ameaça a habitações e expansão para o distrito de Aveiro.
Moimenta, Cinfães (Viseu): mobilizava 29 meios terrestres e uma centena de operacionais às 07h00.
Monte Fralães, Barcelos (Braga): 41 meios terrestres e 128 operacionais.
Fornos, Castelo de Paiva (Aveiro): deflagrou na madrugada de hoje, com 18 veículos e 63 operacionais.
Portugal em situação de alerta
O Governo declarou situação de alerta na quinta-feira, pelo menos até segunda-feira, e a ANEPC elevou o Estado de Prontidão Especial para nível III, intermédio/alto, com o dispositivo de combate a incêndios rurais reforçado para capacidade máxima. Quase todo o território continental está em perigo máximo ou muito elevado, com exceção de meia dúzia de municípios do litoral.
Intensificação do El Niño
A esta pressão interna junta-se um alerta global da Organização Meteorológica Mundial: as Nações Unidas preveem intensificação rápida do El Niño nos próximos meses, com 80% de probabilidade de um evento forte entre julho e setembro de 2026, o que aumenta significativamente o risco de ondas de calor, secas e fenómenos climáticos extremos em várias partes do mundo, incluindo o sul da Europa.
“As condições do El Niño já estão em curso e a previsão é que se intensifiquem rapidamente. Isto intensificará as hipóteses de seca e chuvas intensas, bem como o risco de ondas de calor”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. Em caso de incêndio rural, o número de emergência é o 112.