Cabo Verde com “ligeira diminuição” no número de casos de tuberculose
Cabo Verde registou uma “ligeira diminuição” no número de casos de tuberculose nos últimos anos, considerando que em relação ao número de mortes a situação é “estacionária”.
Praia, 24 mar (Lusa) – Cabo Verde registou uma “ligeira diminuição” no número de casos de tuberculose nos últimos anos, considerando que em relação ao número de mortes a situação é “estacionária”.
A análise foi feita hoje à imprensa pelo responsável do Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose e Lepra (PNLTL), Jorge Barreto, dizendo que a diminuição de casos foi graças a melhoria na capacidade de diagnóstico e a melhoria na prestação de cuidados.
Jorge Barreto falava à imprensa no âmbito de uma sessão para sensibilizar jornalistas, realizada pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), em parceria com o Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose e Lepra (PNLTL), no âmbito do dia Mundial da doença, que hoje se assinala.
Segundo o infeciologista do Ministério da Saúde, em 2013 Cabo Verde registou 314 casos de tuberculose, número que diminuiu para 292 no ano seguinte, para 271 em 2015 e 255 no ano passado.
Em relação à mortalidade, disse que a situação do país é “estacionária”, uma vez que o aceitável é haver menos de cinco mortes por cada 100 mil habitantes, mas Cabo Verde não tem ultrapassado esse indicador internacional.
Segundo os dados disponibilizados, o país registou 15 mortes em 2013, número que diminuiu para seis em 2014, e voltou a aumentar para 11 no ano seguinte e os dados provisórios de 2016 apontam para oito óbitos em toda a população cabo-verdiana, que ronda os 500 mil habitantes.
Os dados do Ministério da Saúde de Cabo Verde são diferentes dos divulgados na terça-feira pelo relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2016 das Nações Unidas, mas com dados de 2014.
Segundo o documento, Cabo Verde registou 31 mortes por tuberculose em cada 100 mil habitantes em 2014, valor superior aos 23 do registo de 2012.
Questionado, Jorge Barreto garantiu que o país vai analisar essas discrepâncias, mas salientou que as organizações internacionais trabalham com estimativas e previsões, que às vezes não condizem com os dados notificados pelo país.
“O PNLTB ainda não teve acesso a esse documento (do IDH), mas será alvo de uma análise. Habitualmente essas organizações e instituições internacionais trabalham com base em estimativas e projeções, que muitas vezes não condizem com os dados programáticos, que são os de notificação que recebemos”, justificou o médico.
Jorge Barreto adiantou que o programa que dirige deverá realizar um inquérito a nível nacional para analisar essas discrepâncias entre os dados notificados em Cabo Verde e os disponibilizados pelas organizações internacionais.
“É precisa haver uma análise para tentarmos perceber o que é que se passa com esta situação”, mostrou, salientando que se essas informações forem verdade devem servir para o país focalizar e melhorar as suas condições de prestação de serviço às pessoas com a doença.
O médico sublinhou ainda que as organizações internacionais partem do princípio que a maior parte dos países pouco desenvolvidos não têm condições de garantir a fiabilidade dos dados e a notificação de todos os casos de tuberculose que acontecem.
A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causa pela bactéria chamada de Bacilo de Koch, que afeta principalmente os pulmões, mas que pode atingir outras partes do corpo.
Em Cabo Verde o tratamento é gratuito em todas as estruturas de saúde.
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By Impala News / Lusa