Professores angolanos denunciam detenções e prometem nova greve no final do mês

O Sindicato dos Professores Angolanos (Sinprof) denunciou hoje detenções e coações sobre os docentes nos três dias de greve que decorreram em todo o país desde quarta-feira, prometendo desde já nova paralisação no final do mês.

Professores angolanos denunciam detenções e prometem nova greve no final do mês

Luanda, 07 abr (Lusa) – O Sindicato dos Professores Angolanos (Sinprof) denunciou hoje detenções e coações sobre os docentes nos três dias de greve que decorreram em todo o país desde quarta-feira, prometendo desde já nova paralisação no final do mês.


A posição foi hoje expressa à Lusa pelo presidente do Sinprof, Guilherme Silva, no balanço desta greve de três dias, que se fez sentir sobretudo em Luanda, mas também noutras províncias de Angola, sublinhando que a adesão foi “esmagadora”.


“É um recado para o patronato, que no começo dizia que a greve não teria adesão superior a 10%. A adesão supera os 90% e isso revela a desmotivação dos professores”, disse o sindicalista.


Guilherme Silva exortou o Governo a fazer uma “leitura” desta greve, porque os professores “são profissionais que formam outras profissões” e que precisam “maior valorização”, recordando mesmo que estará à vista nova paralisação caso as inquietações da classe docente não sejam respondidas, como aumentos salariais ou progressão nas carreiras.


“É este o recado que os professores dão ao Governo e se insistirem na arrogância, então os professores voltarão à carga no intervalo de 24 de abril a 05 de maio, podendo haver uma nova paralisação”, sublinhou.


O Sinprof diz aguardar desde 2013 por respostas do Ministério da Educação e das direções provinciais de Educação ao caderno reivindicativo, nomeadamente sobre o aumento do salário, a promoção de categoria e a redução da carga horária, mas “nem sequer 10% das reclamações foram atendidas”.


No decurso da greve que cumpre hoje o seu terceiro e último dia, pelo menos dois professores foram detidos pela polícia.


“Tivemos detenções na província do Cuanza Norte, onde uma colega nossa foi detida e solta no mesmo dia. Tivemos igualmente detenções no município de Cacuaco [Luanda], onde de seguida o nosso colega foi solto. São formas de pressões e ameaças que violam a lei da greve”, precisou.


O presidente daquele sindicato acrescentou que professores do quadro probatório, contratados em regime eventual, “foram coagidos” neste processo, a fim de não aderirem à greve.


“É chantagem e jogo baixo dos dirigentes do Ministério da Educação. Ninguém será despedido e se eles tentarem fazer isso, nós vamos recorrer ao tribunal para resolver a questão”, advertiu.


O ano letivo de 2017 em Angola arrancou oficialmente a 01 de fevereiro, com quase 10 milhões de alunos nos vários níveis de ensino, decorrendo as aulas até 15 de dezembro.


Na segunda-feira, segundo o responsável, os professores retomam o curso normal das aulas, esperando por verem solucionadas pelo menos a atualização de categorias e o pagamento “na totalidade” dos subsídios já aprovados, sob pena de voltarem à greve a 24 de abril.


O sindicalista refere por outro lado que os professores continuam dispostos a dialogar e aguardam por algum “sinal” do Governo.


“O medo está vencido, estamos abertos ao diálogo antes, durante ou depois da greve”, concluiu.



DYAS // EL

By Impala News / Lusa