Áustria condena sírio a prisão perpétua por crimes de guerra

Um tribunal austríaco condenou a prisão perpétua um requerente de asilo sírio por crimes de guerra cometidos no seu país, ao considerar provado que matou pelo menos 20 soldados governamentais feridos e desarmados.

Áustria condena sírio a prisão perpétua por crimes de guerra

Viena, 11 mai (Lusa) – Um tribunal austríaco condenou a prisão perpétua um requerente de asilo sírio por crimes de guerra cometidos no seu país, ao considerar provado que matou pelo menos 20 soldados governamentais feridos e desarmados, informou hoje a rádio ORF.


O Tribunal Regional de Innsbruck (oeste da Áustria) explica a condenação na transcrição de um interrogatório perante agentes antiterroristas austríacos durante o qual o homem, de 27 anos, confessou os crimes.


O acusado retratou-se na primeira audição do julgamento, em fevereiro, e disse que tinha havido um erro na tradução e que nunca tinha matado ninguém.


No entanto, o júri condenou-o em primeira instância por cinco votos contra três, e aceitou o testemunho inicial, como pedia o Ministério Público.


“Relatou que matou a tiro soldados feridos. Inclusivamente voltei a perguntar-lhe e confirmou-o”, afirmou o tradutor do acusado, que foi chamado a depor para esclarecer se havia um erro na transcrição do interrogatório inicial.


A declaração incriminatória foi escrita em árabe e o acusado leu-a e assinou todas as páginas.


O advogado de defesa criticou falhas no processo e disse haver uma grande diferença entre o que o seu cliente dissera e o que aparecia na declaração por escrito.


Nesse documento, o arguido reconhece ter matado soldados gravemente feridos sem esperança de sobreviver para “evitar o seu sofrimento”.


O condenado vivia na Síria, num campo de refugiados palestinianos e fazia parte de milícias islamitas vinculadas ao Exército Livre da Síria, escreve a agência de notícias austríaca APA.


O acusado disse ao tribunal que o Governo sírio matou o seu irmão por ter participado nos primeiros protestos contra o Presidente, Bashar al-Assad, em 2011.


“O regime matou o meu irmão. Tinha uma arma para me defender a mim e à minha família”, disse.


A decisão agora noticiada é passível de recurso.


A Síria vive há seis anos uma guerra civil, entre o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, movimentos de oposição e grupos extremistas islâmicos.


A ONU estima que pelo menos 320.000 pessoas morreram e milhões foram obrigadas a fugir desde o início do conflito armado na Síria, em março de 2011.



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By Impala News / Lusa