Moçambique quer fortalecer capacidade policial de travar desinformação
O secretário permanente do Ministério do Interior moçambicano disse hoje que a instituição quer fortalecer a capacidade da polícia no combate à desinformação e narrativas falsas que desacreditam instituições públicas, alertando para pânico em informações mal geridas.
“Hoje, muitos conflitos começam no espaço digital. Muitas narrativas falsas são construídas para desacreditar instituições, manipular a opinião pública e gerar instabilidade social. Por isso, urge fortalecer a capacidade institucional de resposta rápida à desinformação, às notícias falsas e às campanhas de manipulação da opinião pública”, disse Victor Canhemba.
O responsável falava na abertura da III reunião nacional de planificação e harmonização das ações de comunicação do Ministério do Interior, em que apontou para o crescimento do crime organizado e transnacional recorrendo a tecnologias de informação, além dos crimes cibernéticos e a desinformação, pedindo, por isso, à polícia uma comunicação coordenada e integrada face a estes crimes.
“Uma informação mal gerida pode gerar pânico, especulação, desinformação e descrédito institucional. Por outro lado, uma comunicação responsável, transparente e oportuna fortalece a confiança entre o Estado e os cidadãos a quem juramos servir”, acrescentou.
O responsável quer ver os comunicadores da polícia a atuarem como agentes de estabilidade social e porta-vozes da verdade institucional, defendendo por isso uma comunicação com responsabilidade, ética, disciplina, rigor e elevado sentido patriótico.
“A título de exemplo, para serem assertivos na comunicação que realizam, deverão adotar uma postura de permanente atenção ao ambiente informacional, acompanhando tendências, perceções públicas sobre matérias e conteúdos de interesse institucional que circulam nos diferentes órgãos de comunicação social e nas redes sociais”, disse o secretário permanente do Ministério do Interior.
A corporação quer também aposta no domínio de ferramentas digitais, comunicação em cenários de crise, gestão de redes sociais, análise de dados, monitorização mediática e produção multimédia, prometendo fortalecer a cibersegurança e a capacidade operacional das instituições de defesa, referindo que é preciso desenvolver uma comunicação ativa com as comunidades que enfrentam o crime.
“Exigimos maior rigor na gestão da informação institucional. A divulgação precipitada de informação não confirmada pode comprometer investigações, afetar operações em curso e prejudicar a credibilidade dos porta-vozes da instituição”, disse Victor Canhemba, que pediu, na mesma intervenção, aposta contínua na formação técnica e académica dos profissionais, visando a melhoria das suas habilidades.
A última onda de desinformação em Moçambique ocorreu nos meses de abril, quando boatos relativos a superstições sobre o alegado atrofiamento, encolhimento e até desaparecimento de órgãos genitais, a partir de um toque de alguém, tiveram início na província de Cabo Delgado, tendo-se posteriormente espalhado para outras regiões do país e para as redes sociais.
Em consequência, pelo menos 55 pessoas morreram e 111 ficaram feridas em atos de violência registados associados a boatos sobre o suposto desaparecimento de órgãos genitais masculinos, conforme noticiou a Lusa em 11 de maio, citando o comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Joaquim Sive.
PME // VM
Lusa/Fim
By Impala News / Lusa