Construir 17 quilómetros de vias no centro de Cabinda vai custar 87 MEuro
A construção de quase 17 quilómetros de vias no casco urbano da cidade de Cabinda, a realizar por uma empresa chinesa, vai custar 87 milhões de euros, segundo autorização do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
Luanda, 09 mar (Lusa) – A construção de quase 17 quilómetros de vias no casco urbano da cidade de Cabinda, a realizar por uma empresa chinesa, vai custar 87 milhões de euros, segundo autorização do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
O documento, a que a Lusa teve hoje acesso, autoriza o ministro da Construção a contratar a sucursal de Angola da China Road and Bridge Corporation para a “construção das vias do casco urbano” da capital do enclave de Cabinda, “numa extensão de 16,92 km, incluindo redes de infraestruturas”.
Esta obra custará 88,5 milhões de dólares (83,9 milhões de euros), acrescida ainda da contratação de empresas para os trabalhos de fiscalização, por 441 milhões de kwanzas (2,5 milhões de euros) e de coordenação, por 147 milhões de kwanzas (840 mil euros).
Cada quilómetro de via, construção e infraestruturação, custará mais de cinco milhões de euros, segundo os dados deste despacho presidencial, de 01 de março.
Paralelamente, e ainda para Cabinda, o chefe de Estado autorizou uma outra empreitada, neste caso a segunda fase das infraestruturas integradas da cidade capital de província. Para o efeito foi contratada outra empresa chinesa, a SINOMACH, por 162,2 milhões de dólares (153,4 milhões de euros), acrescendo 817 milhões de kwanzas (4,6 milhões de euros) para fiscalização e 272 milhões de kwanzas (1,6 milhões de euros) para coordenação dos trabalhos.
O cabeça-de-lista do MPLA às eleições gerais angolanas de agosto, general João Lourenço, prometeu no sábado baixar o custo das obras públicas e admitiu que os altos preços do petróleo dos últimos anos criaram “maus hábitos” no país.
A posição foi assumida pelo candidato e vice-presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder desde 1975, no primeiro ato de massas da pré-campanha eleitoral em Luanda.
“O executivo do MPLA que sair das eleições de agosto vai tomar medidas no sentido de baixar os preços das infraestruturas, de baixar o preço das empreitadas”, avisou João Lourenço.
Embora sem adiantar propostas concretas, recordando apenas os investimentos que estão ser feitos para aumentar a produção local de materiais de construção, travando os custos de importação, o candidato do MPLA a Presidente da República e atual ministro da Defesa Nacional traçou a necessidade de o país, a viver uma crise económica e financeira decorrente da quebra das receitas do petróleo, “reduzir consideravelmente” os preços das obras públicas.
Nomeadamente os custos de construção do quilómetro de estrada e do metro quadrado das habitações sociais, mas garantindo que será exigida qualidade aos empreiteiros.
O setor da construção civil em Angola é dominado, além dos empresários nacionais, por empreiteiros portugueses, brasileiros e chineses.
“Não pode haver construção para a Europa e construção para Angola. Tem que haver construção. Uma estrada feita na Europa, em Angola ou noutra parte qualquer do mundo é uma estrada”, advertiu João Lourenço.
Em paralelo, reconheceu a necessidade de o próximo executivo “incentivar a cultura da manutenção dos bens públicos”, acabando com a “cultura do descartável”, como até agora.
“O ‘boom’ do petróleo, a abundância e os bons preços do petróleo, durante muitos anos, criaram-nos maus hábitos, e temos de ser honestos a reconhecer que assim foi. Nós esquecemo-nos, de uma forma geral, da manutenção dos bens públicos. Mais facilmente gastamos milhões a construir infraestruturas caríssimas, do que gastamos algumas dezenas ou centenas de dólares a fazer a manutenção desses equipamentos”, observou.
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By Impala News / Lusa