Bancos controlados por capital estrangeiro representam quase 50% do sistema bancário em Portugal

Os bancos controlados por investidores estrangeiros ou em que o capital estrangeiro é preponderante representam quase metade do sistema bancário português, quer em ativos quer em passivos, segundo cálculos feitos pela Lusa com dados da APB.

Bancos controlados por capital estrangeiro representam quase 50% do sistema bancário em Portugal

Lisboa, 17 dez (Lusa) — Os bancos controlados por investidores estrangeiros ou em que o capital estrangeiro é preponderante representam quase metade do sistema bancário português, quer em ativos quer em passivos, segundo cálculos feitos pela Lusa com dados da APB.


Os bancos Millennium BCP, Santander Totta e BPI, mas também os mais pequenos BIC, BBVA, Barclays (este último comprado, em abril deste ano, pelo espanhol Bankinter) ou Haitong (ex-BES Investimento) representavam, no final do primeiro semestre, cerca de 47% do total de ativos do sistema bancário.


Estas contas foram feitas a partir dos últimos balanços consolidados disponíveis no ‘site’ da Associação Portuguesa de Bancos (APB), segundo os quais em junho de 2016 o ativo total do sistema bancário português (aplicações noutras instituições de crédito, instrumentos financeiros, como ações e obrigações, mas sobretudo crédito a clientes) ascendia a 371 mil milhões de euros.


Estes bancos com capital estrangeiro maioritário ou predominante tinham ao todo um passivo correspondente a 47% do total que era de 343 mil milhões de euros no final de junho.


O passivo bancário agrega as responsabilidades que os bancos têm para com terceiros, de que se destacam os depósitos dos clientes.


No capital estrangeiro na banca portuguesa é evidente a predominância de Espanha, um investidor mais tradicional no mercado financeiro em Portugal, mas também de Angola, com investidores fortes que chegaram nos últimos dez anos.


Mais recentemente verifica-se a ofensiva dos investidores chineses na banca, que segundo vários analistas aproveitam Portugal e os preços ‘a desconto’ atualmente existentes como uma oportunidade para entrarem na Europa.


Esta aposta materializou-se em força em novembro com a entrada do grupo chinês Fosun no BCP e logo como principal acionista, superando a petrolífera angolana Sonangol.


Até aí, o investimento chinês na banca limitava-se ao BES Investimento, que foi comprado em 2015 pelo grupo Haitong, de Hong Kong.


Contudo, é de referir que, nos seguros, a Fidelidade – a maior seguradora a operar em Portugal e que pertencia à CGD — foi para as mãos dos chineses da Fosun em 2014.


Entre os principais bancos a operar em Portugal, mantêm-se atualmente 100% portugueses a Caixa Geral de Depósitos, que é pública, e ainda os mais pequenos Montepio e Crédito Agrícola.


Também o Novo Banco, o banco de transição que ficou com ativos e passivos do Banco Espírito Santo (BES), é para já totalmente detido por capital português (do Fundo de Resolução Bancário), uma situação que deverá ser provisória.


Isto porque o Novo Banco está em processo de venda e a imprensa tem adiantado que o fundo chinês Minsheng apresentou a melhor proposta financeira, acima das propostas dos fundos norte-americanos Apollo e Lone Star.


O problema é que, segundo os jornais, os chineses da Minsheng têm tido dificuldade em dar garantias financeiras de que conseguirão pagar o preço oferecido caso sejam escolhidos para comprar o banco, o que poderá fazer derrapar a venda do Novo Banco para janeiro.



+++ BCP +++


O Millennium BCP, o segundo maior banco do sistema financeiro português, a seguir à CGD, teve em novembro uma significativa alteração acionista, tendo o grupo chinês Fosun (com 16,7%) ultrapassado a petrolífera angolana Sonangol (com 14,87%).


Já depois de a Fosun ter reforçado a sua participação no BCP, o banco espanhol Sabadell, que detinha 4,23% do banco português, vendeu a sua posição.


É de referir ainda que há a intenção da Fosun de aumentar a sua posição no BCP para até 30% e que também a petrolífera angolana pediu autorização ao Banco Central Europeu (BCE) para deter mais de 20% do banco, estando a aguardar ‘luz verde’ do supervisor.



+++ BPI +++


O espanhol CaixaBank tem 45,50% do banco liderado por Artur Santos Silva e Fernando Ulrich e a ‘holding’ angolana Santoro (da empresária Isabel dos Santos) 18,6%.


O Caixabank tem atualmente em curso uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade do banco, oferecendo 1,134 euros por ação.


A oferta lançada no início do ano aconteceu no contexto de um processo relacionado com a redução da exposição do BPI em Angola e que motivou uma ‘guerra’ entre CaixaBank e Santoro.


Esta semana foi aprovada pelos acionistas a passagem do controlo do Banco de Fomento de Angola (BFA) do BPI para a operadora angolana Unitel, através da venda de 2%, facilitando o processo da OPA.



+++ Santander Totta +++


O banco português é completamente controlado por estrangeiros, já que é detido a 100% pelo espanhol Santander.



+++ Bancos mais pequenos +++


Além destes ‘grandes’, ainda com capital estrangeiro operam em Portugal outros bancos bem mais pequenos, como o Banco BIC, da empresária Isabel dos Santos e do banqueiro luso-angolano Fernando Teles.


Também presentes no mercado português os espanhóis BBVA e Bankinter (que este ano comprou a operação do britânico Barclays em Portugal) e o chinês Haitong (que atua na banca de investimento) entre outras instituições menos significativas que operam em Portugal mas cujo capital não é português.



IM // ATR


Lusa/fim