Big Brother – Vencedor foi obrigado a dar metade do prémio à ex-mulher
De 10 mil a 100 mil euros. A TV 7 Dias recuperou todos os prémios que a TVI deu ao longo de mais de 20 anos de Big Brother.
Mais de duas décadas depois da estreia que mudou para sempre o panorama televisivo em Portugal, o Big Brother continua a ser o maior fenómeno de audiências e debate social do País. E, onde se ganha muito dinheiro. Desde o ano 2000, a casa mais vigiada do País tem sido o palco onde vidas se transformam de um dia para o outro. E, já deixou de ser apenas um programa de televisão, para ser também o centro de debate nas redes sociais. Mas não foi só isso que mudou ao longo dos anos. Se no primeiro Big Brother, que teve como vencedor Zé Maria, a inocência, espontaneidade e o realismo eram os pontos de honra, a experiência social evoluiu e passou a tratar-se de um jogo em que os concorrentes sabem como se devem comportar para causar impacto. Mas há mais. O valor do prémio também mudou ao longo dos tempos. Analisámos o percurso dos valores (apenas) do Big Brother dados pela TVI e Endemol ao longo dos mais de 20 anos deste reality show. Só em prémios finais, a TVI e Endemol gastaram cerca de um milhão, cento e trinta e nove mil euros, e um automóvel, em 21 edições, entre anónimos e famosos.
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Foi a 3 de setembro de 2000, que o País parou para ver um grupo de desconhecidos fechar-se numa casa na Venda do Pinheiro, no programa apresentado por Teresa Guilherme. O prémio final de 100 mil euros representava uma fortuna. Zé Maria foi o grande vencedor depois de 120 dias fechado, sem qualquer notícia do exterior. Além do cheque, o jovem de Barrancos, hoje com 53 anos, levou para casa um automóvel Kia Shuma, tornando-se numa referência do Big Brother. Aliás, o mediatismo que ganhou levou-o a uma depressão profunda, com notícias a surgirem, revelando tentativa de suicídio na Ponte 25 de Abril. Seguiu-se, em 2001, o carismático Henrique Guimarães, carinhosamente conhecido por Icas, hoje com 45 anos, que conquistou o mesmo montante de 100 mil euros. Na altura tinha ambições religiosas e decidiu usar parte do dinheiro para apoiar uma fundação de solidariedade e ajudar os pais, afastando-se de seguida do mediatismo e da pressão da fama para viver uma vida recatada. Não chegou a ser padre, acabou por se casar e mudar-se com o companheiro para a Alemanha.
Catarina Cabral foi a terceira vencedora, em 2001, e arrecadou 100 mil euros. Afastou-se dos holofotes, deixou de viver nos Açores, e hoje, com 46 anos, Catarina tem uma carreira sólida na área da saúde oral, nos arredores de Lisboa. A fechar esta primeira grande vaga do formato com anónimos, em 2003, Fernando Geraldes, o Nando, conquistou o prémio também de 100 mil euros. O antigo concorrente do Big Brother 4 utilizou o prémio para comprar uma casa que, anos mais tarde, acabou por vender. Aos 51 anos, está ligado ao ramo imobiliário, tem um filho de 18 anos, fruto da relação já terminada com Filipa Ramos, que conheceu dentro da Casa. Mas antes do Big Brother 4, existiram dusa edições com famosos. Uma das questões que mais curiosidade suscita no público é a disparidade entre os prémios finais das edições com concorrentes anónimos e as edições com celebridades. Enquanto os primeiros lutavam por cheques de 100 mil euros, os famosos competem por valores mais reduzidos. A explicação é fácil de entender: Para assegurar a entrada de figuras públicas a produção e a TVI tem de abrir os cordões à bolsa nos cachets semanais. Estes valores pagos por cada semana de permanência na Casa são muito mais elevados quando comparados com os pagos aos anónimos. Assim, o ganho real de um concorrente famoso acumula-se ao longo da sua estada na Casa, tornando o prémio final um bónus simbólico.
O primeiro exemplo deste formato foi em setembro 2002. Ricky Vieira foi o vencedor do primeiro Big Brother Famosos, e conquistou um prémio de 50 mil euros. Mas não ficou com o valor na sua totalidade e acabou por perder metade do prémio, 25 mil euros, para Dália Madruga, com quem ainda era casado legalmente, embora estivesse separado desde março. Aliás, a vida em comum durou apenas cerca de três semanas. Como o processo de divórcio ainda estava a decorrer, todos os bens e ganhos obtidos durante o matrimónio eram dos dois e Dália Madruga fez-se valer dos seus direitos. Recorde-se que Ricky se apaixonou no programa por Daniela Faria, com quem está junto até hoje e tem um filho.
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Texto: Ana Lúcia Sousa (ana.lucia.sousa@worldimpalanet.com); Fotos: Arquivo Impala