António Leal e Silva “Nunca trabalhei na vida”
As redes sociais deram-lhe visibilidade, mas foi a televisão que lhe deu exposição. Polémico, frontal, muitas vezes a pisar o risco, começou na CMTV, passou para a SIC Caras e está há dois anos no universo TVI, primeiro no V+, que acumula com a TVI aos domingos.
Mas quem é, afinal, o homem nada consensual, educado por mulheres, que diz nunca ter trabalhado na vida e que garante que, se morresse amanhã, partiria feliz?
Em cinco anos saltaste das redes sociais, onde eras (e és) cáustico, mordaz e polémico, para a televisão. Hoje és uma das caras da TVI. O que mudou?
Mudou a dimensão. Passei a ser conhecido em todo o País. Mas, curiosamente, a minha vida nunca esteve muito longe das pessoas conhecidas. Sempre vivi rodeado desse meio. Ia a eventos, aparecia em revistas, conhecia muita gente. A televisão apenas ampliou uma realidade que já existia.
Nunca te deslumbrou?
Não. Talvez porque nunca foi uma novidade absoluta. Claro que hoje sou reconhecido em sítios onde antes ninguém fazia ideia de quem eu era, mas lido com isso com muita naturalidade.
E as redes sociais?
Aconteceram sem estratégia. Nunca pensei construir uma personagem. Um dia comecei simplesmente a comentar aquilo que via na televisão. Dizia exatamente o que pensava, sem filtros. As pessoas identificaram-se com essa frontalidade e, quando dei por mim, tinha uma comunidade enorme a acompanhar-me.
Nunca quiseste ser consensual…
Nem quero. Se dissesse aquilo que toda a gente quer ouvir, deixava imediatamente de ser eu.
O Instagram foi pensado como uma estratégia ou aconteceu por acaso?
Aconteceu completamente por acaso. Nem sequer sou uma pessoa muito virada para a tecnologia [risos]. Alguém me incentivou a criar a página e comecei simplesmente a comentar aquilo que via.
Mas rapidamente percebeste que as tuas opiniões geravam reações muito fortes.
Percebi. E isso nunca me incomodou. Quando damos opiniões, sobretudo sobre pessoas conhecidas, sabemos que vamos gerar reações. Há quem concorde, há quem discorde. Faz parte.
As críticas nunca te fizeram recuar?
Não. O que me interessa é ser coerente. Posso enganar-me, posso rever uma opinião, mas nunca digo uma coisa apenas para agradar ou porque fica bem.
Há quem te ache divertido, frontal e irreverente. Outros dizem que és elitista, snob ou até cruel. Isso incomoda-te?
Não particularmente. Acho que as pessoas confundem muitas vezes frontalidade com arrogância. Eu digo aquilo que penso. Não insulto ninguém nem procuro destruir pessoas. Tenho opinião. E, hoje em dia, parece que ter opinião já é suficiente para criar anticorpos.
Leia a entrevista completa na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Nuno Azinheira; Fotos: Tito Calado