Entre Brindes Maria Dominguez: Quando a beleza se transforma num preconceito

Há um preconceito de que raramente se fala: quanto mais bonita é uma mulher na televisão, mais difícil parece ser convencer os outros de que também tem talento.

Entre Brindes Maria Dominguez: Quando a beleza se transforma num preconceito

Há pessoas que nos surpreendem precisamente porque nos obrigam a pensar sobre os preconceitos em televisão. E a Maria Dominguez foi uma delas. Já a conhecia dos bastidores da televisão, dos eventos, dos desfiles da Fátima Lopes e, claro, do Fama Show. Mas só há umas semanas tive oportunidade de conversar verdadeiramente com ela. E posso dizer que foi uma das entrevistas que mais gostei de fazer nos últimos tempos.

Vivemos numa altura em que muitos famosos têm medo de se mostrar para lá da imagem. As entrevistas tornaram-se, muitas vezes, exercícios de controlo, onde cada resposta parece estudada ao pormenor para evitar uma polémica nas redes sociais. Com a Maria aconteceu exatamente o contrário.

Foi uma conversa honesta. Falámos da família, das relações, da pressão da exposição pública, dos preconceitos associados à beleza e, curiosamente, das inseguranças que tantas vezes escondem aqueles que toda a gente considera perfeitos. Porque a verdade é esta: ser muito bonito não significa, obrigatoriamente, gostar daquilo que se vê ao espelho.

E foi aí que percebi aquilo que já suspeitava. A Maria tem muito mais para oferecer à televisão do que aquilo que lhe tem sido permitido mostrar.

É curioso como este meio continua, tantas vezes, a colocar as pessoas em gavetas. Quem começa no entretenimento dificilmente é visto como ator. Quem é muito bonito tem de provar duas vezes que também é inteligente. Quem faz um formato de sucesso parece condenado a ficar eternamente associado a ele. No caso da Maria, isso parece particularmente injusto.

Pouca gente sabe que esteve muito perto de seguir Medicina antes de escolher a comunicação. Uma decisão que demonstra coragem, mas também uma enorme capacidade de trabalho e dedicação. E basta passar alguns minutos com ela para perceber que existe ali muito mais do que uma apresentadora bonita.

Na entrevista confessou-me que gostava de voltar à representação, integrar um filme ou aceitar projetos que a desafiassem verdadeiramente. E espero sinceramente que isso aconteça. Não porque o Fama Show seja pouco, muito pelo contrário! Mas porque um profissional só cresce quando lhe permitem sair da zona de conforto.

A televisão portuguesa precisa de correr mais riscos. Precisa de deixar de olhar para as pessoas apenas pelo papel onde um dia tiveram sucesso. E precisa, acima de tudo, de perceber que beleza e talento nunca foram incompatíveis. A Maria merece mais oportunidades, e tenho a convicção de que, quando elas chegarem, vai provar que havia muito mais para descobrir do que aquilo que vimos até agora.
 

 

Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Impala

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